Terça-feira, 14 de abril de 2026
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Dezenas de pessoas afetadas pelo fechamento da empresa Air Comet, tanto peruanos como espanhóis, foram ao Consulado da Espanha em Lima para exigir o quanto antes passagens de volta à Europa. O protesto, realizado ontem (29), mobilizou cerca de 70 pessoas, das quais 30 conseguiram entrar na sede diplomática.

Pouco depois, com a promessa de que uma resposta seria dada nos próximos dias, a maior parte das pessoas deixou o edifício pacificamente, informaram diplomatas que estavam no consulado. Citado pelo jornal peruano El Comercio, um dos funcionários afirma que “na quarta-feira pela manhã terão uma resposta do governo espanhol”.

No dia 23 de dezembro, a empresa espanhola havia decretado falência, prejudicando 7 mil pessoas que já haviam comprado passagem, entre eles, 1,5 mil brasileiros.

As principais reclamações dos clientes são referentes ao medo de perder o trabalho na Espanha ou de não conseguir pagar uma nova passagem. Miguel Ojeda, um cidadão peruano que participava do protesto, afirma ter sido agredido pelos seguranças do consulado, e explicou que seu emprego depende de sua volta imediata. “Tenho que estar na Espanha amanhã. Trabalho em construção há seis anos e agora poderei perder o emprego”, disse.

Também em Quito, capital do Equador, dezenas de prejudicados pelo fechamento da Air Comet, que não podem voltar para a Espanha no período previsto, convocaram um protesto para hoje em frente à Presidência da República para pedir que o governo os ajude.

Segundo o governo da Espanha, a companhia tem uma dívida superior a 100 milhões de euros, incluindo salários atrasados de 640 funcionários, que não recebem há seis meses. O governo disse que retirou a licença de operações porque a empresa não tinha viabilidade nem para garantir o combustível dos aviões.

Na semana passada, a promessa era de que o governo fretaria aviões e tentaria encaixar a maioria dos passageiros em voos de outras companhias locais, como a Iberia e Air Europa, mas já havia sido avisado que não seria possível levar todos.

“Temos que pagar o triplo”



Os passageiros afirmam também que, quando procuram as outras companhias para comprar novos bilhetes, observam que o preço triplicou em relação àquele anterior à falência da Air Comet. “Temos que pagar o dobro ou o triplo [por um bilhete], isto é estar pisoteado… Isto não é normal!”, afirmou uma cliente.

Dos 7 mil afetados durante a semana passada, 4.215 já foram transportados. Destes, 2.475 viajaram em voos fretados com apoio do governo espanhol, e outros 1.740, recolocados em outras companhias.

O gasto do governo espanhol com transporte de passageiros foi até agora de 4,5 milhões de euros. O ministério do desenvolvimento afirmou que a Air Comet deverá pagar esse valor.

Passageiros da Air Comet protestam no consulado espanhol em Lima

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