Segunda-feira, 27 de abril de 2026
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O acordo assinado na manhã desta segunda-feira (17/5) pelo Brasil, Turquia e Irã para a troca de combustível nuclear iraniano foi considerado um avanço por diferentes setores do Congresso Nacional, tanto governistas quanto a oposição.

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O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) avaliou positivamente a negociação encabeçada pelo Brasil, mas ainda propõe cautela com relação ao comportamento do Irã. Na base aliada, o deputado federal Paulo Delgado (PT-MG) disse acreditar que o sucesso da negociação também depende de mudanças no país, desde as suas relações internas até as relações com mediadores como o Brasil.

Na análise do deputado petista, vice-presidente da Comissão de Defesa Nacional da Câmara, o acordo pode mudar o paradigma de negociações em áreas de conflitos, mas o sucesso depende do Irã. Para Delgado, que se define como “otimista crítico”, o Irã pode não entender a missão do Brasil, um país multicultural e democrático, pelo fato de os iranianos terem um regime teocrático.

“O Irã precisa ter o compromisso de enfrentar primeiramente o inferno social interno em que vive” e também “respeitar o Brasil como mediador”. “Tomará que o Irã esteja à altura da confiança que o Brasil está depositando nele”, afirmou ao Opera Mundi.

Já Azeredo, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, avaliou as negociações como um avanço importante, mas sugeriu precaução. “Tendo em vista os antecedentes de Mahmoud Ahmadinejad e do Irã, temos de ter cautela e aguardar o comportamento deles, para vermos se realmente vão cumprir o acordo”, ponderou.

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No entanto, Azeredo manteve a crítica de que o Brasil tem questões maiores para se envolver, como, por exemplo, as relacionadas ao Mercosul, e não precisa necessariamente “buscar protagonismo onde não é chamado”.

Sem militarismo

Já Delgado acredita que as criticas são feitas porque a mudança de paradigmas é difícil, especialmente quando os interlocutores mais tradicionais tinham interesses militares envolvidos. “O Brasil não tem negociado com interesses militares de confronto ou de hegemonia, o que o coloca em lugar diferente nos acordos”, afirmou.

Ainda segundo Delgado, outro aspecto que implica forte qualificação para o Brasil é o fato de dialogar como um país da América Latina, que é a maior região militarmente desnuclearizada do mundo. “O Brasil sabe fazer bombas nucleares e decidiu não fazer, o que também dá credibilidade ao país”, opina o petista.

O deputado argumenta, entretanto, que a aproximação com o Irã não pode ocorrer “sem que se lute no sistema internacional pelo respeito aos direitos humanos” naquele país. Para Delgado, não é fácil lidar com uma teocracia por conta da falta de independência com relação à religião e aos “desejos” e leis “supremas”. 

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