Segunda-feira, 27 de abril de 2026
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EFE



Estudantes em Lahore durante manifestação a favor da proibição do Facebook

O governo do Paquistão bloqueou o acesso a sites como o YouTube, Flickr, Wikipedia e a plataforma de relacionamentos Facebook até pelo menos o dia 31 de maio. O motivo alegado foi que os quatro endereços apresentavam “crescentes conteúdos sacrílegos”, depreciando o islamismo, religião oficial do país.

A medida, que sucedeu diversas tentativas de bloqueio a endereços com teor considerado inadequados, entrou em vigor após o surgimento de um concurso online no Facebook para desenhar o profeta Maomé – o que, para os muçulmanos, é uma prática anti-islâmica e uma blasfêmia.

A iniciativa surgiu após um desenho da norte-americana Molly Norris feito em protesto contra decisão do canal de televisão estadunidense Comedy Central de cancelar um episódio do desenho South Park no país.

No desenho, a cartunista propunha com uma caricatura em que Maomé tornava o dia 20 de maio como o “dia de desenhá-Lo”. A brincadeira logo ganhou adeptos e uma “proporção inesperada”, como disse Norris em seu site pessoal. Em poucas horas, o slogan tinha uma página própria no Facebook para que os usuários enviassem seus desenhos, que até agora já passaram de 11 mil.

Reprodução



A página “Everybody Draw Mohammed Day” recebeu pelo menos 11 mil desenhos de usuários do Facebook

A norte-americana, que declarou não ter responsabilidade pelo suposto concurso de desenhos, pediu desculpas aos muçulmanos e para que desconsiderassem a campanha e a caricatura feitas.

Antes disso, porém, a campanha “Dia de Desenhar Maomé”, provocou protestos online e em várias regiões do país organizados por entidades religiosas como o Jamaat-e-Islami (Partido do Islã), Islami Jamiat-e-Talaba (Organização dos Estudantes Islâmicos) e Jamiat Ulema-e-Islam (Assembleia do Clero Islâmico).

Precedentes

Em 2008, um caso semelhante fez com que o YouTube fosse temporariamente proibido no Paquistão após reivindicações de ativistas religiosos que se sentiram ofendidos com vídeos que também mostravam caricaturas de Maomé. A representação de qualquer ser vivo é proibida por lei no Islã. Os muçulmanos, porém consideram ofensa desenhos irônicos publicados em qualquer lugar do mundo.

Reprodução



O YouTube ficará bloqueado até o dia 31 de maio por decisão judicial

Em 2006, na Dinamarca, a publicação de uma charge no jornal Jyllands-Posten, feita pelo cartunista Kurt Westergaard, também desagradou os muçulmanos. O desenho de Maomé com um turbante no formato de uma bomba provocou manifestações violentas em diversos países muçulmanos. Na ocasião, cerca de 50 pessoas foram mortas, cinco delas no Paquistão.

Antes disso, o redator-chefe do Jyllands-Posten afirmou ter recebido ameaças de morte. Outros protestos em Copenhague e o assassinato de um padre católico em Trebizonda, nordeste da Turquia foram atribuídos a polêmica das caricaturas. De acordo com com canal turco NTV, o assassino, que tinha 16 anos, confessou ter matado o padre por causa dos desenhos.

Futuras ofensas

Três anos depois, a embaixada da Dinamarca em Islamabad, no Paquistão, sofreu um ataque que matou seis pessoas. A organização islâmica Al Qaeda se responsabilizou pela ação, dizendo que era uma vingança pela publicação das caricaturas.

EFE



Apoio entre jovens: entidades estudantis lideram o respaldo à censura imposta pela Justiça

Em março deste ano, a polícia irlandesa prendeu quatro homens e três mulheres, nascidos no Iêmen e no Marrocos, acusados de planejar o assassinato do cartunista sueco Lars Vilks, que em 2007 estendeu a polêmica das caricaturas de profetas ao desenhar  Maomé em um corpo de cachorro.

A nova restrição do governo paquistanês inclui também o bloqueio de outros 450 links considerados impróprios e blasfemos. Além disso, a decisão do tribunal de Lahore, responsável por autorizar a proibição, permite que os responsáveis pelas caricaturas e futuras ofensas ao Islã sejam processados.

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Paquistão investe contra a internet sob pretexto de ofensa ao Islã

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