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A proibição de homossexuais de doar sangue vem causando polêmica entre cidadãos e parlamentares em diversos países. Na Itália, o Hospital Gaetano Pini, que fica em Milão, não aceitou o sangue de um doador que se declarou gay. Este não é o primeiro caso que acontece no país, apesar de a legislação não prever nenhuma restrição em relação a isso.

De acordo com a rede de notícias Rainews24, um jovem foi ao centro de transfusões do hospital convicto a doar – o que faz há oito anos –, mas foi impedido pelos enfermeiros, que explicaram que “o protocolo do hospital não permite que gays sejam doadores de sangue”.

O diretor médico da unidade, Amedeo Tropeano, disse que “o Gaetano Pini decidiu aderir ao protocolo de transfusão da Fatebenefratelli”, rede de hospitais que Itália fazem parte de uma ordem religiosa internacional.

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Em 2007, um homossexual protestou contra a proibição de doar sangue, mas o Hospital Gaetano Pini emitiu uma declaração dizendo que “a orientação sexual não é uma razão a priori para a exclusão da doação de sangue, portanto, de acordo com as normas internacionais, mulheres e homens homossexuais podem doar sangue”. Na prática, porém, não é o que acontece.

O caso gerou indignação não apenas dos homossexuais e da imprensa italiana, mas também dos parlamentares. A deputada do Partido Democrata Paola Tanning considerou a proibição “muito grave”. Para ela, a restrição significa “uma violação do princípio da igualdade consagrado na constituição”, o que precisa ser resolvido pelo Ministro da Saúde.

O presidente do Partido Verde, Angelo Bonelli, concordou com Tanning e disse que “a Itália tem se mostrado um país homofóbico, o que não é digno de um país europeu”, o que exige uma queixa ao Tribunal dos Direitos do Homem e da União Européia. “Parece que estamos de volta a idade da pedra sobre a aplicação dos direitos civis”, acrescentou de acordo com a Rainews24.


Homofobia internacional

A proibição da doação de sangue por parte de homossexuais não é uma problemática restrita a Itália, os Estados Unidos, por exemplo é outro país que adota a medida e também causa polêmicas.

Em junho, a  agência federal americana CCSDS (Comitê Consultivo de Segurança e Disponibilidade de Sangue) votou por 9 a 6 para manter as atuais normas de doação de sangue, que  proíbem totalmente homossexuais praticantes de doarem sangue.

A medida foi mantida porque, no entendimento da CCSDS, os homens que praticaram sexo com outro homem desde 1977 são potenciais transmissores do HIV, já que nesta época ocorreu a epidemia da AIDS.

O senador John Kerry e 17 outros democratas do Senado pediram que a FDA [agência sanitária dos EUA] cesse sua proibição “discriminatória”, argumentando que os atuais testes sanguíneos conseguem detectar o HIV.

Contudo, é medicinalmente comprovado que até seis meses depois que uma pessoa se torna infectada os testes de sangue não detectam o vírus do HIV, o que possibilitaria a transmissão para outras pessoas, fato que fez o CCSDS manter a decisão.

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Países proíbem homossexuais de doar sangue

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