Sábado, 28 de março de 2026
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Após o governo dos Estados Unidos cancelar o visto de seus familiares, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, classificou a decisão como “ato covarde”, mas reiterou que “ninguém vai baixar a cabeça”. A ação norte-americana ocorreu na esteira das retaliações contra funcionários do governo brasileiro ligados ao programa Mais Médicos, sob a alegação de que “o programa apoiaria o trabalho forçado em Cuba”.

Padilha, que também foi ministro da Saúde durante o governo Dilma Rousseff (2011-2016) foi o responsável pela implementação do programa Mais Médicos, criado com o objetivo de atender regiões remotas e com escassez desses profissionais. Entre 2013 e 2018, médicos cubanos participaram do programa por meio de cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

O ministro brasileiro questionou o fato de o governo do presidente Donald Trump ter aplicado uma sanção a sua filha, de 10 anos de idade. Ao mesmo tempo, criticou Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está vivendo nos Estados Unidos.

Eduardo têm articulado com integrantes do governo norte-americano sanções ao Brasil, como forma de pressionar o país, em especial o Supremo Tribunal Federal (STF), para que seu pai não seja julgado por tentativa de golpe de Estado.

“As pessoas que fazem isso e o clã Bolsonaro, que orquestra isso, devem explicações. Não para mim, nem só para o Brasil, mas para o mundo inteiro: qual o risco de uma criança de 10 anos de idade pode ter para o governo norte-americano?”, disse em entrevista à Globonews. “Estou absolutamente indignado. É uma atitude de covardia”, acrescentou.

Padilha afirmou ainda que o filho de Bolsonaro e aliados montaram “um verdadeiro escritório do lobby da traição nos Estados Unidos”.

“Ninguém vai se submeter às atitudes absurdas do governo Trump, muito menos do escritório de lobby da traição do clã bolsonarista”, declarou Padilha
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nesta semana, o Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou os vistos de funcionários do governo brasileiro ligados à implementação do programa Mais Médicos. Foram cancelados os vistos de Mozart Julio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais da pasta e atual coordenador-geral para 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30).

Em comunicado, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, justificou que os servidores teriam contribuído para um “esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano” por meio do Mais Médicos.

“Minha filha sequer tinha nascido quando eu criei o programa Mais Médicos, com muito orgulho. Eu criei com muito orgulho. Hoje o programa tem o dobro de médicos que tinha quando foi criado, são mais de 95% médicos brasileiros e brasileiras. Não tem nenhum país do mundo que um governo federal coloca 28 mil médicos e médicas nas unidades básicas de saúde das cidades mais remotas, na periferia das cidades”, afirmou Padilha.

Na entrevista, o ministro ainda teceu críticas ao governo Trump por sua política de “perseguição” à ciência. “Trump ataca e persegue quem defende a saúde, a ciência, desde o começo do governo dele. Ele persegue pesquisadores norte-americanos que estão desenvolvendo vacina nos Estados Unidos, cortou recurso das universidades, saiu da Organização Mundial de Saúde, atacando a OMS, saiu de fundos de desenvolvimento de vacinas”, enumerou o ministro.

O ministro disse que atualmente não há nenhuma parceria do Brasil com médicos cubanos. Porém, outros países mantêm parcerias com esses profissionais e citou a Itália, ressaltando que a primeira-ministra Giorgia Meloni é aliada de Trump.

“Qual é a explicação para não ter qualquer tipo de sanção, qualquer crítica a esses outros países [que continuam com a parceria com os médicos cubanos]. Vem fazer uma sanção aqui no Brasil contra servidores brasileiros, contra a família do ministro da Saúde, contra uma criança de 10 anos, sendo que a gente não tem mais parceria com médicos cubanos”, questionou ainda.

“Ninguém vai baixar a cabeça, nem se submeter a essas atitudes absurdas do governo Trump, muito menos do escritório de lobby da traição do clã bolsonarista lá nos Estados Unidos”, concluiu.

(*) Com Agência Brasil e Brasil de Fato