Otan diz ter prendido vice-líder talibã no Paquistão, enquanto ofensiva no Afeganistão prossegue
Otan diz ter prendido vice-líder talibã no Paquistão, enquanto ofensiva no Afeganistão prossegue
Em meio à Operação Mushtarak, maior ação militar no sul do Afeganistão desde 2001, funcionários do governo dos Estados Unidos asseguraram hoje (16) que o segundo principal comandante do Talibã foi preso no Paquistão, o que foi negado pelo grupo.
“As informações sobre a prisão do mulá Abdul Ghani Baradar são falsas e infundadas. Ele não está no Paquistão, mas sim ocupado com a guerra santa no Afeganistão”, declarou o porta-voz do movimento Mohammed Yousef Ahmadi, citado pela agência de notícias paquistanesa AIP.
O porta-voz chamou de “propaganda” a notícia do jornal The New York Times que, citando fontes do Pentágono, assegurou que Baradara, descrito como o chefe das operações do Talibã no Afeganistão, foi capturado dias atrás em uma operação secreta dos serviços de inteligência paquistaneses e norte-americanos em Karachi, maior cidade do Paquistão.
Em Islamabad, o ministro do Interior paquistanês, Rehman Malik – geralmente vago na hora de confirmar mortes ou prisões de líderes talibãs -, minimizou a credibilidade da notícia e disse que, se alguma captura for feita, o governo informará o país.
Um membro da inteligência ocidental no Paquistão disse à agência de notícias espanhola EFE que o organismo confirmou a prisão de Baradar “por meio de contatos com fontes da insurgência talibã afegã”.
“Karachi é um dos melhores lugares para se esconder. É onde se canaliza o dinheiro obtido com o contrabando e o tráfico de drogas para o Afeganistão”, afirmou. Segundo a fonte, Baradar “esteve no Paquistão há muito tempo”.
“Não há comentários sobre a matéria”, limitou-se a dizer à EFE uma fonte do serviço secreto paquistanês. “Não há nada”, disse outro funcionário da espionagem local, comumente criticada por Washington por ter uma política complexa em relação aos talibãs. O grupo fundamentalista afegão é visto por uma parte da camada militar paquistanesa como um braço estratégico no país vizinho.
Em Cabul, um porta-voz do Palácio Presidencial disse não ter confirmação da prisão.
Vice-líder do Talibã
Conhecido como mulá Baradar Akhund, o suposto preso é considerado o chefe militar da insurgência e vice do movimento liderado pelo mulá Omar. Durante o regime talibã afegão (1996-2001), ocupou o cargo de vice-ministro da Defesa. Se confirmada a prisão, ele seria o talibã capturado de cargo mais alto desde a invasão do Afeganistão, no final de 2001.
A notícia surge quatro dias depois do início da ofensiva das forças anglo-americanas e do Exército afegão sobre o reduto talibã de Marja, na província de Helmand (sul). A área é uma importante região de produção de papoula, matéria-prima do ópio, que é fonte de renda para grupos terroristas, guerrilheiros e lideranças locais.
EFE/Exército Britânico

Soldado da Otan aguarda em trincheira: ao todo 15 civis afegãos já foram mortos na Operação Mushtarak
Em comunicado hoje, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) informou que três civis morreram ontem na ofensiva. A Isaf (sigla em inglês para Força Internacional de Assistência à Segurança), missão militar sob comando da Otan, disse que os civis morreram “acidentalmente”. As vítimas se somam aos 12 civis que no domingo morreram depois de uma falha no lançamento de dois foguetes, que erraram o alvo original, um reduto talibã.
Resistência
A Otan também informou ter matado ontem dez fundamentalistas em três combates separados enquanto os soldados perseguiam “um comandante talibã” de Helmand.
Uma força conjunta foi enviada ao distrito de Washir, também em Helmand, depois que relatórios de inteligência revelaram a presença de insurgentes em vários veículos baleados.
Desde que começou a operação, a Isaf e as autoridades afegãs disseram ter se deparado com uma resistência “esporádica”.
No entanto, o movimento talibã assegurou, em comunicado divulgado pela AIP, que “as forças invasoras não fizeram nenhum avanço espetacular desde o começo da operação” e convocou a “imprensa mundial independente” a se aproximar para comprovar isso.
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