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A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) indicou nesta segunda-feira que a comunidade internacional vai agir caso o regime político de Muammar Kadafi continue fazendo uso da violência contra a população civil da Líbia, mas deixou claro que a Aliança não iniciará nenhuma ação sem o aval das Nações Unidas.

“Se Kadafi e suas forças continuarem atacando sistematicamente a população, a comunidade internacional simplesmente não poderá ficar sentada e observar”, advertiu em entrevista coletiva o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen. Segundo ele, a atuação das autoridades líbias pode incorrer em “crimes contra a humanidade”.

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Os responsáveis militares aliados elaboram há dias planos sobre possíveis cenários de atuação, mas por enquanto não houve nenhuma sugestão de se pedir à Aliança que aja, disse Rasmussen.

“A Otan não tem intenção de intervir, mas como organização de segurança nossa obrigação é fazer um planejamento prudente para qualquer eventualidade”, explicou.

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Segundo fontes diplomáticas, por enquanto são cogitadas várias possibilidades de atuação, entre as quais poderiam figurar uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia e o bloqueio naval para impedir a entrada de armas e mercenários no país.

O objetivo da Otan é estar pronta para agir “rapidamente” se solicitada e se esse pedido vier acompanhado de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que a respalde, assinalou Rasmussen.

Um mandato das Nações Unidas seria imprescindível para, entre outras coisas, evitar objeções por parte dos países árabes, explicaram fontes diplomáticas nesta segunda-feira.

“É um dilema para a comunidade internacional. Por um lado, está a vontade de acabar com o banho de sangue, mas por outro é preciso ter cuidado com a sensibilidade na região no que diz respeito a uma operação que seria percebida como uma intervenção externa”, reconheceu o secretário-geral em entrevista ao canal France 24.

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Com essa situação em mente, Rasmussen manteve contatos nos últimos dias com o presidente da Comissão da União Africana (UA), Jean Ping, e com o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa.

Esta organização, tal como a França anunciou nesta segunda-feira, se pronunciou a favor da criação de uma zona de exclusão aérea na Líbia, com a qual impediria os bombardeios das forças de Kadafi sobre os rebeldes e a população civil.

Rasmussen advertiu, de qualquer forma, que essa ação requer um “amplo leque de recursos militares” e lembrou que a resolução sobre a Líbia aprovada por enquanto pelo Conselho de Segurança da ONU não prevê o uso da força.

A Otan já realizou duas missões de exclusão aérea na década de 1990, uma durante a guerra da Bósnia-Herzegovina e outra no conflito do Kosovo.

No caso da Líbia, Rasmussen advertiu nesta segunda-feira que a operação seria “complexa e muito vasta”, dado o tamanho do país.

A postura dos aliados diante do conflito na Líbia será analisada na quinta e na sexta-feira pelos ministros de Defesa da organização, em um encontro que será realizado em Bruxelas e ao qual também foi convidada a alta representante de Política Externa e Segurança Comum da União Europeia, Catherine Ashton.

A intenção de Rasmussen é que os países estudem as fórmulas com as quais podem apoiar os movimentos democráticos em toda a região mediterrânea e no Oriente Médio.

No caso específico da Líbia, o secretário-geral da Otan exigiu nesta segunda-feira a Trípoli que ouça as “reivindicações legítimas” da população e inicie uma “transição pacífica rumo à democracia”.

Rasmussen considerou “escandalosa” a resposta de Kadafi ao levante da população contra o regime político do ditador.

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Otan adverte que pode recorrer à força caso Kadafi continue a atacar civis

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