Domingo, 3 de maio de 2026
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Organizações internacionais pediram nesta terça-feira (29/08) “isenções humanitárias” às sanções contra o Níger após o levante militar, devido ao impacto que a população sofreu após a interrupção de programas de assistência de organismos mundiais. 

No início de agosto, a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) impôs sanções comerciais e financeiras contra o Níger após o levante militar em 26 de julho, além de considerar a possibilidade de uma invasão militar regional.

O diretor do Comitê Internacional de Resgate (IRC) para o Níger, Paolo Cernuschi, destacou que “estoques de suprimentos vitais como ajuda nutricional ou suprimentos médicos estão retidos nas fronteiras devido às sanções”. 

“Em um país onde as taxas de desnutrição são alarmantemente altas, esses atrasos podem ser catastróficos”, ressaltou, apontando que 13% da população do Níger sofre de “insegurança alimentar grave”.

Várias ONGs, incluindo o IRC, emitiram um comunicado que expressa o compromisso das entidades diante da severa crise humanitária exacerbada pelos ataques de grupos jihadistas, falta de chuvas e inflação agravada.

Segundo organizações, população civil tem sofrido impacto das sanções após programas de assistência terem sido interrompidos

Programa Mundial de Alimentos da ONU

Cedeao impôs sanções comerciais e financeiras contra o Níger após o levante militar em 26 de julho

“Temos o dever moral de agir com rapidez e decisão. Há vidas em jogo. Não podemos permitir que barreiras burocráticas fiquem no caminho para salvá-las”, diz a nota.

Por sua vez, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) indicou que os preços dos alimentos e matérias-primas “aumentaram após a introdução das sanções e parecem que continuarão a subir à medida que o fechamento das fronteiras com os países da CEDEAO torne os alimentos e outros produtos básicos mais escassos”.

“As tensões socioeconômicas, incluindo a crescente inflação e a falta de recursos e serviços, foram agravadas pelas recentes restrições de movimento, o que coloca uma pressão ainda maior sobre uma população já vulnerável”, acrescentou.

Protestos contra autoridades francesas

Segundo o jornal RT en espa´ñol, a população nigerina saiu às ruas no último domingo (27/08) para protestar contra a presença do exército da França no território do país africano. 

Pouco antes das manifestações, a junta militar que tomou o poder de Niamey expulsou o embaixador francês no Níger. A partir da última sexta-feira (26/08), o representante teve 48 horas para partir. 

Por sua vez, Paris declarou que a junta militar não tinha autoridade para anunciar tal medida.

(*) Com TeleSUR