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As forças conservadoras do Uruguai se uniram contra o candidato esquerdista José Mujica, favorito para suceder o presidente Tabaré Vázquez, seu correligionário de Frente Ampla, depois de seus principais partidos, o Blanco e o Colorado, serem derrotados no primeiro turno da votação no domingo (26).

Iván Franco/EFE (25/10/2009)



Danilo Astori, candidato a vice e José Mujica

Ainda assim, já com pouco mais de 47% do eleitorado (com 99,96% dos votos apurados, Mujica tem 47,46%, Luis Alberto Lacalle 28,53% e Pedro Bordaberry, 16,06%), o ex-guerrilheiro Tupamaro deve receber votantes de grupos à sua direita, dizem especialistas locais, uma vez que muitos uruguaios sem partido político preferido gostariam de manter o estilo da atual gestão, aprovada por 60% da população, em vez de voltar aos tempos de crise econômica do ex-presidente e agora rival de Mujica, Luis Alberto Lacalle.

Mais de 90% dos uruguaios compareceram às urnas e deixaram Mujica à beira da vitória. Pedro Bordaberry, do Partido Colorado e filho do ex-ditador Juan María Bordaberry, declarou “apoio incondicional ao candidato do Partido Blanco (direita), Lacalle, para tentar conter um novo mandato da Frente Ampla.

“Eu só posso agradecer muito ao gesto do doutor Bordaberry, que anunciou seu apoio sem condições por causa da nossa coincidência de valores e de ideias”, disse Lacalle a jornalistas em seu comitê eleitoral no centro de Montevidéu. “Acabo de falar com Pedro. Estamos coordenando, vamos concluir o ritual partidário e depois faremos o diálogo para irmos adiante”, afirmou o ex-presidente.

Nas eleições de 2004, a vitória de Vázquez por estreita margem já no primeiro turno evitou a união dos dois partidos históricos, que existem desde a separação do Uruguai do Brasil, em 1828. O candidato colorado, cujo partido elegeu 33 dos 37 presidentes do país, foi a maior surpresa da disputa eleitoral uruguaia.


Conciliador



Diante de uma diferença de poucos votos para definir a eleição no primeiro turno, Mujica fez um discurso conciliador, pedindo votos de todos os partidos naquilo que chamou de “plebiscito sem ódio” entre as gestões dos partidos tradicionais e a da Frente Ampla.

“A sociedade exige de nós mais um esforço, de participar de um segundo turno. Trata-se de uma questão de fórmula política e assim vai continuar nesses próximos 30 dias”, disse em entrevista a jornalistas.

Do lado de fora do hotel onde deu sua entrevista coletiva, Mujica era esperado por milhares de frenteamplistas que se dividiram sobre o resultado: uns se frustraram, pois queriam resolver tudo no primeiro turno, e outros consideraram a perspectiva justa para ampliar o apoio ao governo que virá. Em meio a gritos de “Si, se puede”, inspirados no mote de campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, eles passaram a noite nas ruas de Montevidéu pedindo votos no 2º turno.

“Ninguém nunca nos deu nada de presente. O impossível sempre custa um pouco mais. Agora não é pela bandeira tricolor. É por esta, do Uruguai”, disse Mujica de um palanque onde esteve acompanhado de seu candidato a vice, o ex-ministro da Economia Danilo Astori. “Serão trinta dias de luta, mas não de ódio. Queremos que nosso povo pense não em partidos, mas no país.”

Pesquisas de intenção de voto para o segundo turno apontavam nova vitória de Mujica antes do sufrágio deste domingo, com cerca de 65% dos votos. 

Atualizado às 12h00

Oposição uruguaia se une para tentar impedir vitória do favorito Mujica

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