Domingo, 10 de maio de 2026
APOIE
Menu

Na última sexta-feira (01/03) o Quênia assinou um tratado de cooperação para o envio de cerca de mil policiais para o Haiti, país mais pobre das Américas e que enfrenta uma gravíssima crise de segurança. A oposição queniana, no entanto, ameaça impedir judicialmente o acordo. 

O líder oposicionista Ekuru Aukot classificou o acordo como “falso” e questionou na rede social X/Twitter o que as forças do país poderiam fazer de diferente, já que contingentes mais poderosos de outros países já falharam no  Haiti. 

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

“Nesta semana nosso presidente, Williams Ruto, assinou um acordo falso com o primeiro-ministro impostor do #Haiti, #ArielHenri, para enviar 1.000 policiais ao Haiti para ‘trazer a lei e a ordem’.”

“Os americanos, os franceses, os canadenses e os brasileiros que têm forças mais poderosas já estiveram lá antes. Eles foram “feitos de churrasquinho”. Então, que magia irá o Quênia fazer no Haiti quando não conseguirmos lidar com os ladrões de gado no Norte do Quênia?”

Mais lidas

A fala irônica é referência a Jimmy Cherizier, apelidado de Barbecue (churrasco em inglês). Ex-policial, ele lidera a coalizão de gangues que exige a renúncia do premiê do país. O apelido seria pelo costume de queimar inimigos. Ele ameaçou iniciar uma guerra civil se Ariel Henry não deixar o poder e convocar eleições, como havia prometido.

A oposição ao envio de policiais se baseia ainda no temor de que as leis do Haiti seriam diferentes das do Quênia, o que poderia colocar os quenianos em uma situação de insegurança jurídica. 

Twitter/Área Militar
Oposição queniana ameaça impedir judicialmente o tratado de cooperação assinado pela própria nação sobre envio de policiais para Haiti

Caos

Na quarta-feira (06/03), o Conselho de Segurança da ONU expressou preocupação com o que chamou de situação crítica no Haiti. Na reunião de emergência, “todos compartilharam suas preocupações”, principalmente a necessidade de enviar a missão internacional de apoio à polícia, disse a embaixadora de Malta, Vanessa Frazier.

Henry não conseguiu voltar ao país, estando em Porto Rico desde a assinatura do acordo no Quênia na sexta-feira. 

A atual crise começou na última quinta-feira (29/02) , quando ataques coordenados alvejaram instalações do governo. No sábado, invasões em prisões libertaram cerca de 3,6 mil detidos, a maioria de gangues criminosas. O governo decretou toque de recolher no dia seguinte, em vigor a princípio até a última quarta, mas prorrogado nesta quinta (07/03) por mais um mês. Estima-se que as gangues controlem a maior parte da capital do país e que a violência tenha feito 15 mil pessoas abandonarem suas casas na cidade. 

Os ataque contra diversos lugares estratégicos tinham o objetivo, segundo as gangues, de derrubar Henry. No poder desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse em julho de 2021 — por gangues — deveria ter saído do posto em fevereiro, convocando eleições, mas não o fez. 

“Devemos nos unir. Ou o Haiti vira um paraíso para todos ou um inferno para todos”, disse Barbecue na segunda-feira. “Não se trata de um pequeno grupo de ricos que vivem em grandes hotéis e decidem o destino dos moradores dos bairros populares.”

Os Estados Unidos pediram, na quarta, que Henry “acelere” a transição para uma nova “estrutura de governança” e marque eleições.

“Instamos-lhe a acelerar a transição para uma estrutura de governança reforçada e inclusiva”, que deve permitir ao país se preparar para uma missão multinacional “para abordar a situação de segurança e abrir o caminho para eleições livres e justas”, declarou a jornalistas o porta-voz do Departamento de Estado americano, Matthew Miller

Segundo fontes do governo dos EUA ouvidas pelo jornal Miami Herald, a administração Biden teme que o Haiti descampe em definitivo nas próximas para as mãos das gangues criminosas.