ONU negocia neste sábado sanções contra Líbia
ONU negocia neste sábado sanções contra Líbia
O Conselho de Segurança da ONU negociará neste sábado (26/02) uma maneira de sancionar o regime líbio de Muamar Kadafi, após escutar as urgentes solicitações nesse sentido do secretário-geral, Ban Ki-moon, e do próprio embaixador de Trípoli para que o órgão seja “decisivo” e atue o mais rápido possível.
Os embaixadores dos 15 membros do principal órgão de segurança retomarão o diálogo no sábado às 13h de Brasília para tentar superar as diferenças que impediram a adoção nesta sexta-feira, em reunião de emergência, de um projeto de resolução de França e Reino Unido.
O documento inclui a declaração de um embargo de armas à Líbia, assim como o congelamento dos bens e a proibição de que a cúpula do regime líbio liderada pela família Kadafi possa viajar.
Além disso, pede ao TPI (Tribunal Penal Internacional) que averigue os possíveis crimes de guerra e contra a humanidade cometidos durante a repressão dos protestos.
“Nossa esperança é de que se adote a resolução o mais rápido possível, e de preferência na tarde deste sábado”, indicou na saída da reunião o representante da França, Gérard Araud, que assegurou que o único ponto no qual há divergências é a menção ao TPI.
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Explicou que para alguns países que não são membros do tribunal internacional “é um assunto sensível” que deve ser discutido com suas capitais.
De qualquer forma, se mostrou convencido de que serão encontradas fórmulas que levem em conta as opiniões de todos os membros do Conselho e permitam levar o caso à Justiça do tribunal com sede em Haia.
Araud esclareceu que entre as medidas consideradas pelo Conselho não se encontra uma operação militar, nem a declaração de uma zona de exclusão aérea sobre o espaço líbio.
“Observamos que há posições comuns” entre os membros do organismo para enviar “uma mensagem firme” ao regime de Kadafi, acrescentou.
Por sua parte, a presidente de turno do Conselho de Segurança, a embaixadora brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti, leu uma declaração na qual reiterou a profunda preocupação do organismo pelas informações de mortes de civis “em grande escala” e pediu uma cessação imediata da violência.
Também insistiu na obrigação das autoridades líbias de garantir a segurança dos cidadãos estrangeiros e facilitar sua saída do país.
“Os membros do Conselho acordaram considerar de maneira urgente um projeto de resolução que inclui medidas específicas e particulares, com o obejtivo de colocar fim à violência”, acrescentou.
Apelo
Antes de começar as negociações, o Conselho de Segurança escutou um emocionado discurso do embaixador da Líbia perante a ONU, Abdurrahman Mohamed Shalgam, que com suas palavras provocou as lágrimas de sua delegação e fez com que os diplomatas na sala se abraçassem, incluindo o próprio Ban.
“Por favor, Nações Unidas, salvem a Líbia. Não ao derramamento de sangue, não à morte de inocentes. Queremos uma resolução decidida, rápida e valente dos senhores”, pediu o representante diplomático, que se considera um amigo pessoal do líder líbio e até hoje não havia rompido claramente com o regime de Trípoli.
Shalgam acusou Kadafi e seus filhos de colocar os líbios na situação de precisar decidir entre não protestar ou morrer pelas mãos das forças de segurança.
“Digo a meu irmão Kadafi: deixe a Líbia em paz”, indicou o embaixador, que não comentou as explicações do líder líbio de que a rebelião foi causada por drogas consumidas pela juventude.
Em um tom mais tranquilo, mas com um objetivo parecido, Ban pediu ao Conselho para adotar “ações concretas e decisivas” para deter o derramamento de sangue no país norte-africano.
Em sua opinião, a primeira obrigação da comunidade internacional é fazer “todo o possível para garantir a proteção imediata dos civis em risco considerável”.
“A violência deve parar. Os responsáveis por derramar o sangue de inocentes de uma maneira tão brutal devem ser castigados”, apontou Ban, que pediu ao Conselho de Segurança que considerasse “um amplo leque de ações” com respeito à Líbia.
“As ações e as declarações do Conselho de Segurança são aguardadas com muita ansiedade e serão seguidas de perto por toda a região”, advertiu Ban, que na segunda-feira viajará a Washington para conversar com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sobre a situação na Líbia.
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