ONU alerta que imigrantes africanos são vítimas de discriminação e violência na Líbia
ONU alerta que imigrantes africanos são vítimas de discriminação e violência na Líbia
Além do conflito entre oposicionistas e forças leais ao líder da Líbia, Muamar Kadafi, o país enfrenta outro embate: o da discriminação a africanos, incluindo crimes como estupro e ataques a crianças. O alerta foi dado pelo ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados). Desde o começo dos protestos contra o governo Khadafi, cerca de 212 mil imigrantes deixaram a Líbia, a maioria oriunda da Tunísia, Egito, Nigéria, China, Paquistão, entre outros.
O porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards, apelou para que a comunidade internacional ajude os refugiados e imigrantes da África Subsaariana – onde vive a população predominantemente negra e cerca de 500 milhões de pessoas. Segundo Edwards, anteontem (07/03), refugiados sudaneses que chegaram à fronteira da Líbia com o Egito foram recebidos por homens armados, que os obrigaram a recuar. De acordo com ele, uma menina, de 12 anos, disse ter sido estuprada.
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“Eles relataram que muitas pessoas tiveram seus documentos confiscados ou destruídos. Ouvimos relatos semelhantes de um grupo de refugiados do Chade, que fugiam de Benghazi, Al Bayda e Brega [cidades da Líbia], nos últimos dias”, afirmou Edwards.
Em Nova York, o Conselho de Segurança das Nações Unidas discutiu ontem a possibilidade de impor uma zona de exclusão aérea. O assunto ainda não tem consenso, mas norte-americanos, franceses e ingleses são favoráveis à proposta.
O alto comissário da ACNUR, Antonio Guterres, esteve ontem na Tunísia para visitar a área de fronteira com a Líbia e conversar com as pessoas que estão na região. Há relatos de que os cerca de 3,5 mil imigrantes de Bangladesh enfrentam dificuldades para deixar a Líbia e aguardam há dez dias autorização para sair do país.
Paralelamente, um comboio de caminhões do PAM (Programa Alimentar Mundial) está na Líbia para distribuir comida às vítimas dos conflitos. A distribuição dos alimentos vai se concentrar em Benghazi – cidade considerada capital dos oposicionistas.
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