Terça-feira, 5 de maio de 2026
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A onda de calor que castiga o hemisfério norte pode provocar uma volta dos problemas de segurança alimentar nos países pobres, como aconteceu entre 2005 e 2008. A Rússia, terceiro maior exportador de trigo do mundo, acabou de revisar para baixo sua projeção de colheita de cereais. Serão entre 60 milhões e 65 milhões de toneladas, em vez dos 90 milhões previstos, em função da estiagem e das queimadas que afetam o país.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, anunciou no início do mês uma suspensão das exportações de trigo a partir de meados de agosto até 15 de dezembro. As reservas do país – 9,5 milhões de toneladas acumuladas em um fundo de intervenção e 21 milhões excedentes da safra anterior – devem ser suficientes para suprir as necessidades locais, mas não permitem pensar no mercado externo. Putin enfatizou o fato que era “inútil contar com uma suspensão rápida desta medida”.


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A decisão da Rússia fez disparar o preço do trigo, que atingiu níveis recordes nos mercados da Europa e dos Estados Unidos. O cereal alcançou seu maior nível em dois anos em agosto, sendo negociado no mercado de futuros de Chigago a US$ 7,5250 o bushel (medida equivalente a 35 litros) no dia 6 de agosto, contra US$ 6,6150 na semana anterior. Em junho, as notícias negativas das colheitas já tinham provocado um aumento no preço de quase 50%.

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Redução mundial

Segundo a nova projeção da FAO (Organização para Agricultura e Alimentação), a colheita de trigo neste ano deverá sofrer uma queda de 25 milhões de toneladas, chegando ao total de 676 milhões de toneladas. A instituição explica a redução por conta da seca prolongada na Rússia e da diminuição na produção agrícola no Cazaquistão e na Ucrânia.

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A a agência da ONU avalia que que não há riscos de uma nova crise mundial de alimentos, tomando em conta as importantes reservas acumuladas o ano passado. Mas, se há trigo suficiente, esse não é o único fator que conta para a definição do preço da commoditie.

“O problema é que alguns fundos decidiram especular com o trigo, fazendo de conta que há um risco real de penúria”, acredita um operador de mercado europeu, pedindo anonimato. “São investidores que normalmente não trabalham no mercado de alimentos e que provocaram uma alta artificial dos preços.”

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Como consequência, os moinhos já estão anunciando um aumento do preço da farinha, que repercutirá no preço do pãozinho e das massas. Segundo os especialistas da empresa de análise de riscos Oxford Analytica, isso pode até provocar “uma agitação social” em alguns países pobres. Em um estudo recém-publicado, eles lembram que as despesas com alimentação podem representar até 60% das despesas das famílias pobres urbanas.


Substituições

Outro impacto da quebra da safra no hemisfério norte é a substituição do trigo por outros cereais, como o milho, nas rações para o gado. No Sul do Brasil, a recuperação dos preços, baixos no primeiro semestre, pode também fazer com que muitos produtores troquem o milho pelo trigo para a próxima safra.

A Oxford Analytica diz ainda que é possível que governos de diferentes países decidam responder à quebra da safra com medidas de controle de preços ou com a imposição de taxas que dificultem a exportação do cereal, como fez a Rússia. “Ao curto prazo, isso não melhora a situação de penúria alimentar urbana, e acaba incentivando uma parte dos produtores a abandonar o trigo por outro cereal mais rentável”, diz o estudo.

Para tratar dessa “corrida” dos agricultores em busca da commoditie mais rentável, o texto cita o caso argentino, onde, até 2006, a produção beirava 16 milhões de toneladas, segundo a Associação de Produtores de Trigo. O governo prioriza o consumo interno (em torno de 6 milhões de toneladas anuais) e exporta apenas o excedente – a maior parte para o Brasil, principal comprador.

Nos últimos anos, cerca de um quarto desta produção foi substituído pela soja. No momento, segundo comunicado da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, no entanto, a tendência é que o caminho inverso seja percorrido – ou seja, o abandono de outras culturas, como a cevada, em direção ao trigo.

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Ondas de calor e queimadas no hemisfério norte fazem preço do trigo subir e ameaçar países pobres

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