Onda de calor atinge a Rússia e ameaça produção agrícola
Onda de calor atinge a Rússia e ameaça produção agrícola
O verão mais rigoroso da última década pegou os russos de surpresa e as perdas econômicas são contadas em milhões. Com temperaturas que no início de maio já ultrapassavam os 30 graus Celsius, a onda de calor parece não querer dar trégua. Nos últimos dias, os termômetros atingiram 44 graus em algumas das regiões do sul. Na Sibéria, sempre lembrada pelos invernos rigorosos, chegaram a medir 61 graus no solo da região do lago Baikal.
Em Moscou, as temperaturas se aproximam da máxima absoluta de 36,5 graus, registrada no verão de 1936. “Nunca vi este calor em Moscou. Parece que estamos na África. Não tem como dormir, não dá vontade de sair de casa, de comer”, disse o analista de sistemas Maks Ptitsin.
Efe (14/07/2010)

Homem mergulha em chafariz em São Petesburgo, no litoral báltico da Rússia
De acordo com o Rosguidromet, serviço meteorológico da Rússia, para a próxima sexta-feira são esperadas temperaturas de 36 graus em Moscou. “Embora seja verdade que Moscou não tenha batido o recorde de temperatura máxima absoluta, estamos em um verão com uma média diária superior a 38 graus Celsius”, disse um porta-voz de Rosguidromet numa coletiva para a impresa. Quatorze regiões do país estão em estado de emergência.
O serviço meteorológico emitiu ontem (14/7) um “aviso de alta temperatura” em Moscou. A partir deste ano, se a temperatura ultrapassa os 30 graus Celsius por mais de cinco dias consecutivos, é dado o alerta. “É impossível fazer qualquer coisa com este calor. Não saio do escritório ao meio-dia porque tenho medo”, declarou a advogada Iúlia Borissova. Devido à onda de calor, o chefe do Serviço Médico da Rússia, Guennádi Onishenko, apelou às entidades patronais para estender o intervalo do meio-dia para os trabalhadores. Alguns órgãos do governo anunciaram que até sexta-feira a atenção ao público se realizará somente até o meio-dia.
Ajuda do governo
O primeiro-ministro russo, Vladímir Putin, anunciou na segunda-feira um pacote de empréstimos e subsídios aos agricultores que tiveram suas plantacões prejudicadas pelo clima. 9,3 milhões de hectares já foram destruídos desde o início do atípico verão.
A Rússia é o quarto maior exportador de grãos e chegou-se a especular que este ano o país teria que importar para atender a necessidade interna. A Ministra da Agricultura, Elena Skrynnik confirmou que se prevê uma produção inferior à do ano passado, mas garantiu que a demanda interna de 77 milhões de toneladas de grãos será alcançada.
O país produziu 97 milhões de toneladas de grãos no ano passado, longe do recorde de 108 milhões em 2008. Neste ano, espera-se que a produção não ultrapasse as 85 milhões de toneladas. O jornal Kommersant estima que as perdas do setor agrícola podem chegar a 1 bilhão de dólares este ano.
No entanto, nem tudo é descontentamento. Vendedores de sorvete, refrigerantes, ventiladores estão celebrando. Nas duas primeiras semanas de junho, as vendas de sorvete e refrigerantes em Moscou dobraram em comparação com o mesmo período do ano passado. “Quem quiser comprar um ar-condicionado hoje em Moscou terá que esperar na fila”, declarou um vendedor de uma loja da capital russa.
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