Obama encontra resistência até entre aliados para aprovar reforma da saúde
Obama encontra resistência até entre aliados para aprovar reforma da saúde
Se até agora os republicanos eram os grandes críticos do plano de reforma da saúde do presidente Barack Obama, nas últimas semanas cada vez mais democratas e políticos independentes – aliados do governo – mostram-se reticentes em apoiar o projeto, como é o caso do senador Joe Lieberman.
“Penso que temos de começar a deixar de lado [alguns detalhes do plano] neste momento, até a economia melhorar”, afirmou o senador independente por Connecticut, em entrevista a uma rede de TV norte-americana.
Ele acredita que “não há razão para fazer tudo de uma só vez”, mas afirma que “deve-se começar por algum lado”. Para iniciar, Lieberman sugere reformar os custos da saúde, o que equivale a torná-los acessíveis a todos, incluindo a criação de programas gratuitos, e reformar o mercado de seguros médicos.
“Isto seria o mais urgente, o resto virá depois. O presidente deve entender que não se pode fazer tudo de uma só vez”, afirmou o senador.
Debates
Em agosto, a maioria dos senadores e deputados federais cancelou suas férias e organizou reuniões públicas por todo o país, a fim de debater a proposta presidencial de reforma da saúde.
Na ocasião, muitos republicanos saíram em massa às ruas, foram às reuniões, fizeram perguntas e interrupções, o que, em diversas as ocasiões, impediu que o debate se efetivasse.
As discussões foram bastante intensas e mostraram o quanto o país está dividido com relação ao tema. As críticas foram basicamente duas: quem pagará o seguro subsidiado pelo governo e por que se deve incluir um suposto sistema de apoio à eutanásia na proposta.
Segundo os democratas, a adesão ao seguro subsidiado será voluntária e não acaba com os seguros privados. Já o subsídio à eutanásia assistida “é, simplesmente, uma mentira”, defendem.
A questão da eutanásia provocou tanta polêmica que Barack Obama interviu no debate antes de sair de férias. “Isso é totalmente mentira, e os republicanos deveriam ser mais responsáveis nesse debate”, disse o presidente em discurso no rádio.
Votação
Com 60 votos no Senado, os democratas possuem representação suficiente para aprovar a reforma. Porém, dois de seus principais representantes, os senadores Ted Kennedy e Robert Byrd estão gravemente doentes e provavelmente não participarão da votação.
Mesmo que os dois senadores se demitam, a lei não permite novas eleições antes de 165 dias, além disso, não há garantias de que os democratas possam ganhar.
Inicialmente, o presidente Obama afirmou que queria a reforma aprovada com o consenso dos dois partidos. Mas na medida em que os debates se intensificaram, a Casa Branca deixou claro que os democratas aprovariam a reforma de qualquer maneira.
E agora, com Kennedy e Byrd doentes, os democratas não têm outra alternativa a não ser contar com os republicanos, que aproveitam a oportunidade inesperada para falar de um novo começo “com um apoio genuíno” dos dois partidos.
“O povo norte-americano se sentiria muito perturbado se um partido impusesse a sua vontade para conseguir uma reforma de saúde, especialmente se esta implica que o governo se encarregue do prestar serviços médicos, crie novos impostos para os pequenos negócios e recorte os programas de assistência à terceira idade”, afirmou o líder republicano do Senado, Mitch McConnell.
Em termos práticos, a alternativa seria aquilo que se chama de “uma reconciliação”, uma tática de votação no Senado onde os dois partidos se põem de acordo sobre duas propostas divergentes. Uns cedem e outros concedem.
Mas não há consenso com relação a uma possível “reconciliação”. O senador democrata Chuck Schummer diz que esta “é uma alternativa viável”. Para o republicano Orrin Hatch “é um abuso do sistema”.
Neste fim de semana, em uma das reuniões públicas, um dos participantes perguntou à deputada federal pela Califórnia, Maxine Waters, se ela apoiaria a reforma de saúde, caso os dois partidos decidam deixar de fora a criação de um seguro com subsídio governamental. “Não, podem ter certeza que não”, foi a resposta da deputada federal, cujo eleitorado tem base na área metropolitana de Los Angeles.
Waters aproveitou a oportunidade para mandar um recado a Obama de que não acredita num compromisso entre os dois partidos e que o presidente cometeria um sério erro político se eliminasse do plano a criação do seguro subsidiado. “Senhor presidente, a gente sabe que o senhor é um homem bom, de que quer trabalhar com o pessoal do outro lado, mas há momentos em que devemos esquecer isso e ir em frente. O que lhe digo, senhor presidente, é que seja duro, use todos os recursos à sua disposição, faça o que tem de fazer, e nós vamos apoiá-lo”, afirmou Waters.
E acrescentou “vamos por todos esses senadores na ordem, vamos mobilizar os cidadãos nas ruas, vamos exigir do presidente que use todas as armas possíveis para obrigar esses senadores a fazer o que devem fazer”, disse a deputada.
O presidente não respondeu ao “recado”. No domingo, ele desembarcou na ilha de Martha’s Vineyard, onde passará uma semana de férias com a família.
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