Nuvem cinzenta paira sobre a Copa da África
Nuvem cinzenta paira sobre a Copa da África
Faltando menos de 50 dias para a abertura da Copa do Mundo na África do Sul, os cancelamentos e atrasos de voos causados pela nuvem de cinzas vulcânicas na Europa pressionam as expectativas do país e de vizinhos para receber torcedores e visitantes para o evento. A venda dos ingressos para os jogos, bem como as reservas nos hotéis, estão longe de alcançarem as previsões apontadas pela organização do torneio – que acontece pela primeira vez no continente africano.
O número de turistas esperados inicialmente era de 500 mil mas, se a demanda de estrangeiros pela ida ao torneio já estava fraca, o caos aéreo europeu prejudicou as vendas de pacotes em agências de turismo e tudo indica que a meta dificilmente será alcançada.
Até o momento, a Eurocontrol, organização responsável pela segurança dos vôos na Europa, acredita que mais de 100 mil vôos tenham sido cancelados desde o dia 15 de abril, quando se iniciou a crise. Vale lembrar que a última erupção do vulcão localizado sob a geleira Eyjafjallajökull durou mais de um ano, fato que preocupa as companhias aéreas, agências de viagem e ainda a organização da Copa do Mundo. A possibilidade apontada por cientistas de que a nuvem continue por meses prejudica diretamente a ida de turistas para a África do Sul, em junho.
Na agência de viagens Euroteam Travel, com agentes espalhados pelos cinco continentes, as vendas de pacotes continuam devagar, mesmo com a contagem regressiva para a data da cerimônia de abertura. Contudo, a empresa ainda não está preocupada com a nuvem de fumaça.
“Não houve cancelamentos”, disse uma fonte na direção da empresa que pediu para não se identificar.
A rede hoteleira sul-africana concorda e considera a crise aérea na Europa como um evento momentâneo, que não acarretará maiores prejuízos durante os jogos. “O medo não se materializou. Mas acontece que, mesmo antes desse evento, as expectativas de turistas no país caíram para cerca de 250 a 300 mil pessoas”, disse Gerhard Patzer, gerente do hotel Hilton em Durban (leste da África do Sul).
Patzer explicou que a alta disponibilidade de quartos de hotéis em boa parte das cidades-sede se deve à concentração dos estrangeiros no eixo Johanesburgo-Pretória, região estratégica para quem deseja acompanhar partidas em outras localidades, como Rustenburg, Polokwane e Nelspruit. O Hilton em Durban possui 20% de quartos disponíveis em dias sem nenhuma partida na cidade, mesmo estando localizado a dois quilômetros do estádio Moses Mabhida, que receberá o jogo Brasil x Portugal.
O baixo desempenho da demanda dos turistas é explicado pela crise econômica mundial, que teve seu auge no segundo semestre de 2008 e ainda está afetando o desempenho de diversos setores, entre eles o turismo. Sem a economia totalmente de volta aos trilhos e com a União Europeia ainda apresentando sinais de enfraquecimento, os altos preços para assistir à Copa do Mundo na África afastam o público. A nuvem de cinzas do vulcão islandês só agravou a situação.
Países vizinhos
A melhora nos números de estrangeiros fica dependente da presença de turistas provenientes do próprio continente africano, especialmente dos países próximos, como Moçambique, Botsuana, Zimbábue e Namíbia.
Por sua vez, os países vizinhos à África do Sul mantêm perspectiva otimista quanto aos turistas trazidos pelo torneio e não esperam ser muito afetados pela crise aérea na Europa.
O Ministério do Turismo de Moçambique, por exemplo, afirma não ter realizado mudanças nos números de visitantes previstos e manterá as mesmas estratégias para conquistar os turistas presentes no território sul-africano atraídos pelo torneio. Contudo, o assessor do órgão Rafael Nambale afirmou ao Opera Mundi que o número menor de turistas esperados impactará o desempenho dos países que querem aproveitar o potencial da Copa na África do Sul.
“A doença do vizinho pode ser a nossa doença e nos afetar também. Se menos turistas vierem para a Copa do Mundo, menos turistas virão para Moçambique durante e depois do torneio”, explicou.
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