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O governo chinês qualificou hoje (8/10) de “blasfêmia” a concessão do prêmio Nobel da Paz ao dissidente preso Liu Xiaobo e assegurou que esta decisão afetará as relações de Pequim com Oslo.

“O Prêmio Nobel da Paz deveria ser concedido àqueles que trabalham para promover a harmonia étnica, a amizade internacional, o desarmamento e os encontros de paz. Estes eram os desejos de (Alfred) Nobel”, declarou em um comunicado o ministro das Relações Exteriores chinês, segundo a agência France Press.

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“Liu Xiaobo foi condenado por violar a lei chinesa e sentenciado à prisão pelos órgãos legais chineses”, destacou. “Suas ações vão contra o propósito do Prêmio Nobel da Paz. Entregando o prêmio a esta pessoa, o comitê Nobel violou e ultrajou o prêmio”, afirmou o documento.

A entrega do prêmio acontece ao mesmo tempo que em acontecem negociações bilaterais para um acordo de livre comércio entre Noruega e China. No final de setembro, o secretário do Comitê Nobel, Geir Lundestad, disse que o vice-ministro chinês de Negócios Estrangeiros, Fu Ying, em visita a Oslo, disse que a distinção de um dissidente seria vista como “inamigável”. 

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Ao anunciar o prêmio, o presidente do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland, afirmou que a China, segunda maior economia mundial, deveria assumir “mais responsabilidades” devido a seu cada vez mais importante papel no cenário internacional.

Segundo Jagland, a escolha do dissidente foi motivada por “sua longa e não-violenta luta pelos direitos humanos e fundamentais” na China. “Faz muito tempo que o Comitê Nobel da Noruega considera haver um estreito vínculo entre os direitos humanos e a paz”, acrescentou.
 

Dissidente

Liu, de 54 anos, foi detido pela primeira vez após osprotestos do movimento estudantil na praça da Paz Celestial, em Pequim, em junho de 1989. Entre 1996 e 1999, foi enviado a um campo de “reeducação pelo trabalho” por defender a reforma política e a libertação dos estudantes que participaram dos protestos de 1989 que permaneciam presos.

Casado e pai de dois filhos, Liu foi preso novamente em 2008 por ter sido um dos 10 mil signatários da Carta 08, petição formulada para exigir reformas políticas no regime comunista chinês. Em dezembro de 2009, o dissidente foi condenado a 11 anos de prisão por subversão.

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Nobel da Paz a Liu Xiaobo pode afetar relações com Noruega, diz China

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