Sábado, 16 de maio de 2026
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No México, o “país hermano” mais distante do Brasil, um dos maiores escritores brasileiros é homenageado com uma cátedra dedicada exclusivamente ao estudo de sua obra e da literatura brasileira. A cátedra de estudos latino-americanos Machado de Assis, organizada pelo Colégio de Humanidades e pela licenciatura em Letras Ibero-Americanas da UCSJ (Universidade do Claustro de Sóror Juana), conclui o seu terceiro semestre considerada como um sucesso.

Um ano e meio depois de criado, o programa superou as expectativas dos criadores e se consolidou como uma importante ferramenta de união entre Brasil e México. A cátedra surgiu em junho de 2009, como um esforço do governo brasileiro e da Universidade do Claustro de Sor Juana para estimular a divulgação cultural do Brasil no México.

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De acordo com o professor Paolo Pagliai, diretor-geral de Ciências Humanas da UCSJ, os alunos que estudam português já representam quase 100% dos matriculados no curso de Letras da instituição.

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“Medimos o sucesso de forma qualitativa. No último curso oferecido pela cátedra, tivemos mais de 40 alunos da UCSJ e da UNAM (Universidade Nacional Autônoma do México). É um grande resultado, pois estamos falando de uma cátedra puramente literária”, observa Pagliai.

Desde a fundação, a cátedra é apoiada por atividades relacionadas à divulgação da cultura brasileira. Para o embaixador brasileiro no México, Sérgio Abreu, os dois países têm trajetórias fortes do ponto de vista cultural e um grande potencial de integração a ser explorado – e a cátedra Machado de Assis se inscreve nesse contexto.

“Essa cátedra é parte da estratégia do governo brasileiro para se aproximar e reforçar os laços com os mexicanos”, diz o professor Pagliai.

Antecedentes

Mas o programa não é o primeiro esforço no México para estreitar os laços com o Brasil. Em 1986, com apoio do governo brasileiro, a Faculdade de Filosofia e Letras da UNAM já tinha criado a Cátedra João Guimarães Rosa, em homenagem ao autor de Sagarana e Grandes Sertões: Veredas. Nove anos depois, o Colégio do México, uma das instituições educacionais públicas mais respeitadas do país, reproduziu a iniciativa e criou, com o apoio da embaixada do Brasil no México, a Cátedra Florestan Fernandes.

“Trata-se de estabelecer uma comunicação com a cultura brasileira, com problemas também da área de ciências humanas, problemas que não são apenas literários, mas também da antropologia e da sociologia”, afirma a diretora do Centro Cultural México-Brasil, Valquíria Wey.


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Para este ano, a Universidade do Claustro de Sóror Juana convidou João Cezar de Castro Rocha, professor e pesquisador de literatura comparada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, para oferecer, em setembro e outubro, o ciclo de conferências Por uma poética da emulação: Machado de Assis e seus precursores.

“O curso teve a intenção de difundir a obra de Machado de Assis, cada vez mais conhecida no mundo não-lusófono e cada vez mais estudada nos termos de uma ruptura da corrente narrativa no Brasil, que coincide com várias das inquietações encontradas no horizonte dos escritores do século XX”, afirma Valquíria.

Machado e latinos

Uma das principais razões de ser da cátedra Machado de Assis é que, segundo o professor João Cezar de Castro Rocha, da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), o reconhecimento da importância do escritor brasileiro para a literatura contemporânea vem crescendo no México nos últimos 15 anos.

“Há um conjunto de leitores muito importantes que cada vez mais reconhecem a importância de Machado de Assis. Um dos ensaios mais inteligentes escritos sobre ele é de autoria de Carlos Fuentes, um dos mais importantes romancistas mexicanos contemporâneos”, diz.

De certo modo, em seu ciclo de palestras, Castro Rocha da busca levar adiante o diálogo iniciado por Carlos Fuentes.

“Procuro apresentar Machado de Assis como um escritor que continua contemporâneo, busco estudar seus procedimentos literários em diálogo com escritores latino-americanos dos séculos XIX e XX”, explica.


Alto nível

A cátedra chamou tanta atenção no país que, entre os participantes, estão escritores e críticos literários mexicanos conhecidos, como Sandra Lorenzano e Alberto Ruy Sánchez, entre outros alunos com profundo conhecimendo da obra de Machado de Assis.

“As discussões estão ocorrendo em um alto nível teórico, pois é evidente que já existe na Cidade do México um público sólido, que faz trabalhos sobre literatura brasileira e desenvolveu uma visão própria dessa literatura”, conclui Valquíria.





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No México, Cátedra Machado de Assis amplia aproximação cultural com o Brasil

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