Neonazistas russos comemoram aniversário de Hitler
Neonazistas russos comemoram aniversário de Hitler
Grupos neonazistas na Rússia comemoraram nesta terça-feira (20/4) o nascimento de Adolf Hitler, três semanas antes das comemorações da vitória russa sobre os alemães na Segunda Guerra Mundial.
Em 2008, a extrema-direita conseguiu a aprovação da prefeitura de Moscou e organizou uma manifestação no centro da capital russa. Já este ano, para contrariar os neonazistas, um grupo de jovens stalinistas carregou uma bandeira vermelha pelas proximidades do Kremlin e depositou flores no túmulo de Stalin.
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Estima-se que atualmente haja 300 grupos de extrema-direita na Rússia, com mais de 70 mil skinheads espalhados pelo país, principalmente nas grandes cidades – Moscou, São Petersburgo e Novosibirsk.
“A ideia de que o estrangeiro é uma ameaça à Rússia aumentou muito com a chegada de Putin ao poder e serviu para alimentar o pensamento xenófobo”, explica a diretora da Faculdade de Jornalismo da Universidade Estatal de Moscou, Olga Smirnova.
De acordo com a última pesquisa do Observatório de Direitos Humanos de Moscou, a capital russa registrou 89 ataques motivados pelo preconceito racial nos três primeiros meses do ano, resultando na morte de 53 pessoas. Os ataques a não-russos costumam aumentar na semana do aniversário de Hitler. Árabes, negros e pessoas originárias da Ásia Central e do Cáucaso são os grupos mais vulneráveis.
“Há uma clara perseguição aos que são diferentes, aos que não são russos. E, aqui em Moscou, as ruas estão cheias de extemistas prontos para atacar”, alerta o estudante de Relações Internacionais Anton Ushakov. “Somos 15 milhões de pessoas, mas a cidade não tem um ar cosmopolita”.
Medo e indiferença
Grupos de direitos humanos e associações de imigrantes anunciaram em seus websites que não descartam a utilização da força para proteger-se de ataques xenófobos no dia de hoje. Os reitores das principais universidades do país aconselham aos estudantes estrangeiros que não saiam do quarto nesta semana. “Parece mentira que isto ainda aconteça, mas, pela minha segurança, não estou indo às aulas estes dias. Um amigo meu da Malásia foi espancado no ano passado e não quero arriscar”, contou por telefone ao Opera Mundi o estudante Sylvester Luanga Kamfwa, do Zimbábue.
A prefeitura de Moscou decidiu não aumentar o contingente de policiais nas ruas da capital por considerar que “os ataques são casos isolados”. O coronel Vladimir Pronin, ex-chefe de polícia de Moscou, chegou a declarar que “não há skinheads” na cidade.
E Pronin não é uma exceção: pesquisas do Centro Levada de opinião pública indicam que apenas 5% dos russos veem o extremismo político como algo perigoso e que 15% dos jovens acreditam que o nazismo tem pontos positivos. Outra pesquisa revela que 34% dos estudantes universitários de Moscou acreditam que uma vitória nazista na Segunda Guerra “não teria sido uma tragédia”.
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