Negociação de acordo nuclear está nos últimos detalhes, afirma assessor internacional de Lula
Negociação de acordo nuclear está nos últimos detalhes, afirma assessor internacional de Lula
Atualizada à 01h30 de 17/5
A informação de Ahmet Davutoglu, chanceler da Turquia, de que teria sido alcançado acordo entre seu país, Irã e Brasil, sobre a troca de combustíveis nucleares, foi ratificada, às 7h15 de Teerã (23h45 no horário de Brasília), pelo assessor internacional do presidente brasileiro, Marco Aurélio Garcia.
“Os três chefes de governo estão iniciando nesse momento uma reunião para os últimos detalhes da negociação”, relatou Garcia ao Opera Mundi. “As conversas estão adiantadas e um compromisso tripartite está muito bem encaminhado.”
O encerramento da reunião estava inicialmente previsto para as 10h (2h30 no horário brasileiro) e deveria ser seguido de uma declaração conjunta dos três líderes.
Leia mais:
Lampreia acredita que Lula irá fracassar em tentativa de diálogo com Irã
Presidente da Rússia afirma que chance de acordo com Irã é de 30%, mas Lula se diz mais otimista
Sarkozy agradece Lula pela ajuda na libertação de Clotilde Reiss
Opinião: Lula está errado sobre o Irã?
Mais cedo, o ministro de Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, tinha declarado que “o acordo foi alcançado após quase 18 horas de negociações”. Ele afirmou que o anúncio oficial podia ser feito na segunda-feira pela manhã, após revisão pelos presidentes brasileiro e iraniano e o primeiro-ministro turco.
Os presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, falaram neste domingo em entrevista coletiva sobre o interesse de incrementar as relações comerciais entre seus países. Eles não tocaram na questão nuclear. Isso não significa, porém, que o tema foi ausente das negociações. De acordo com a agência espanhola de noticias Efe, membros da delegação brasileira teriam dito que a questão foi abordada pelos dois presidentes e depois discutida ao longo do dia “com boas sensações”.
Durante o dia, o primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, voou para Teerã para juntar-se ao presidente brasileiro, que estava negociando com autoridades iranianas, em um movimento que autoridades ocidentais e russas classificaram como provavelmente a última chance de evitar novas sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) contra o Irã.
Artigos:
O Brasil deve produzir a bomba atômica?
A criação do novo inimigo muçulmano
A inútil guerra que destruiu o Iraque
A política de desarmamento do governo Obama
Cláusula
A viagem, feita mais cedo que previsto, foi justificada pelo primeiro-ministro. “Estou indo ao Irã porque uma cláusula será acrescentada ao acordo que diz que a troca será feita na Turquia”, disse o premiê. “Teremos a oportunidade de começar o processo em relação à troca”, disse Erdogan. “Eu garanto que encontraremos a oportunidade para superar esses problemas, se Deus quiser.”
Segundo o site da TV iraniana Alallam, os chanceleres de Irã, Turquia e Brasil mantiveram um encontro trilateral neste domingo para discutir, entre outros assuntos, a troca de urânio iraniano.
Nos últimos meses tanto Lula como o chefe do governo turco foram os principais apoios do Irã na discussão sobre seu programa nuclear, batendo de frente com países como os Estados Unidos, França, Reino Unido e Alemanha, que tentam punir o Irã com sanções acusando-o de ter objetivos bélicos com o enriquecimento de urânio. Ambos o Brasil e a Turquia estão atualmente membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas)
Urânio enriquecido
A proposta de Brasil e Turquia era pressionar os líderes iranianos a rever uma proposta sob a qual o Irã enviaria urânio baixamente enriquecido a outro país e, em retorno, receberia urânio altamente enriquecido — um plano que fracassou em outubro do ano passado.
As grandes potências propuseram ao Irã que enviasse 70% de seu urânio levemente enriquecido para transformá-lo em combustível altamente enriquecido que o país precisa para seu reator de pesquisas científicas. Invocando um problema de “confiança”, o Irã rejeitou a proposta e disse que prefere uma troca simultânea ou por etapas em pequenas quantidades, feita em seu território, o que foi rejeitado pelas grandes potências.
Frente a essa negativa, o Irã lançou em fevereiro a produção de urânio enriquecido a 20%, o que acelerou a mobilização dos Estados Unidos para adotar novas sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU.
Siga o Opera Mundi no Twitter
NULL
NULL
NULL























