Nasce Miguel de Cervantes, autor do clássico Dom Quixote de La Mancha
Nasce Miguel de Cervantes, autor do clássico Dom Quixote de La Mancha
Grande escritor nascido em Alcalá de Renares, na Espanha, no dia 29 de setembro de 1547, Miguel de Cervantes foi autor de um dos monumentos literários da humanidade: Dom Quixote de La Mancha.
De origem humilde, sua educação formal não colaborou muito para o seu desenvolvimento. Apesar disso, dono de uma grande curiosidade, entrou em contato com a literatura clássica, além dos romances de cavalaria, que, mais tarde, influenciariam sua obra.
Soldado durante a Batalha Naval de Lepanto (1571), na Grécia, o escritor sofreu um ferimento que lhe causou paralisia da mão esquerda. De volta à Espanha, após a participação em mais algumas expedições, a embarcação que o levava foi sequestrada. Cervantes é levado preso a Argel. Em 1580, o escritor é libertado. Exercendo carreira pública na Espanha, somente no final de sua vida Cervantes pôde dedicar atenção exclusiva à sua obra.
A posição de destaque que Cervantes ocupa na literatura universal deve-se a Dom Quixote – o título original em espanhol é El Ingenioso Hidalgo Don Quijote de La Mancha – um romance em que há, num primeiro plano, a sátira às novelas de cavalaria da Idade Média. No entanto, a obra ultrapassou os desígnios originais para se transformar num grande painel alegórico da condição a qual a humanidade está submetida.
A narrativa tem como figura central um senhor, cuja obsessão pela leitura dos romances de cavalaria medieval o leva à idealização desse mundo já perdido no tempo, e que culmina em sua transformação num cavaleiro medieval fora de época. Um nobre velho, decadente e louco sai pela Espanha para lutar pela paz e justiça. No caminho, encontra Dulcineia, uma pobre camponesa a quem dedica suas conquistas, combate moinhos de ventos, pensando ser gigantes e liberta presos perigosos, imaginando que fossem homens de bem. O personagem parte para a aventura em companhia de um camponês ignorante, Sancho Pança, a quem toma por fiel escudeiro.

As aventuras de Dom Quixote sempre terminam em malogro. A busca de um mundo que não mais existia reflete um propósito do estudo da realidade em contraposição com o valor do idealismo. Tais aspectos literários constituem um legado para a história da literatura mundial.
Certa vez, o escritor argentino Jorge Luis Borges afirmou: “Poderiam perder-se todos os exemplares do Quixote, em castelhano e nas traduções, mas a figura de Dom Quixote já é parte da memória da humanidade”.
Difícil quem nunca tenha ouvido falar ao menos uma vez dessa figura encantadora. O escritor Monteiro Lobato contou a história do nobre no livro Dom Quixote para Crianças. Nas artes plásticas, a imagem do cavaleiro foi desenhada por pintores como os espanhóis Pablo Picasso e Salvador Dalí e o brasileiro Candido Portinari.
As figuras de Dom Quixote e Sancho Pança constituem modelos para milhões de artesões em todos os cantos do mundo. E “quixote”, substantivo, entrou para o dicionário como indivíduo ingênuo e generoso que luta inutilmente contra as injustiça, assim como “quixotesco”, adjetivo, algo ou alguém que é generosamente impulsivo, sonhador, romântico, nobre, mas um pouco desligado da realidade.
Assim, um herói de mais de 400 anos continua atual e importante. A obra Dom Quixote de La Mancha inaugura o romance moderno com sua diversidade de gêneros e cenários. Para 100 dos mais reputados escritores da atualidade, a história foi eleita como a melhor obra de ficção de todos os tempos. E os valores que o personagem defende transcendem lendas e séculos — até hoje a paz e a justiça são temas atuais e urgentes. Dom Quixote de la Mancha é o melhor exemplo do que é um clássico.
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