Segunda-feira, 11 de maio de 2026
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O minerador Franklin Lobos, que passou 70 dias preso em uma mina no norte do Chile junto com outros 32 trabalhadores, rejeitou a fama adquirida após o resgate e declarou que ele e seus companheiros não são heróis, mas vítimas da irresponsabilidade dos donos da mina São José.

“As pessoas nos dizem que somos heróis, mas não somos heróis, somos vítimas. Nós apenas lutamos por nossa vida porque temos família. Somos vítimas dos empresários que não investem em segurança”, disse Lobos em entrevista publicada hoje no jornal chileno El Mercurio.

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Ex-jogador de futebol profissional, o mineiro de 53 anos revelou que a grande maioria dos 33 operários acreditou que a companhia San Esteban, proprietária da mina, ia deixá-los no fundo da jazida depois do desmoronamento de 5 de agosto. “Saía mais barato deixar a gente morrer do que nos resgatar”, reconheceu o minerador, que na quarta-feira passada foi o 27º trabalhador a ser resgatado.

Lobos disse que o grupo nunca perdeu a esperança de ser salvo, embora tenham enfrentado momentos difíceis. “Não dependia de nós, não tínhamos nenhuma possibilidade de sair”, explicou. Segundo o minerador, o barulho das sondas que perfuravam a rocha devolveu a esperança aos operários. Todos começaram a chorar quando a primeira delas passou da área onde se encontravam. “Nós chorávamos porque víamos uma possibilidade de sobrevivermos”, afirmou Lobos.

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Futuro

Com relação ao futuro, Lobos se mostrou disposto a voltar a trabalhar como minerador, atividade que desempenhou durante os últimos quatro anos e que lhe permitiu manter a família. “A mina não quis nos levar, a mina nos quis com vida porque nós não éramos os maus, éramos vítimas dos empresários que ganham milhões e não pensam no sofrimento dos pobres”, disse o trabalhador, que no dia do acidente estava a quatro meses trabalhando na jazida de ouro.

Lobos, conhecido como o “Morteiro Mágico” nos anos 1980 por sua habilidade para lances livres, recebeu uma proposta da Fifa para oferecer palestras motivacionais baseadas em sua experiência na mina, onde dirigia os exercícios físicos dos companheiros para que se mantivessem em forma.

Embora ainda não tenha dado uma resposta ao convite, o minerador lamentou que a fama seja consequência do soterramento na mina e afirmou que o assédio midiático ao qual estão submetidos durará pouco. “Em 15 dias isto vai passar”, antecipou o ex-jogador Lobos.

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"Não somos heróis, somos vítimas", diz minerador chileno

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