Na reta final da campanha, Merkel ataca oposição e recebe críticas dos Verdes
Na reta final da campanha, Merkel ataca oposição e recebe críticas dos Verdes
A chanceler alemã, Angela Merkel, saiu em busca de eleitores no norte do país, nesta sexta-feira (18). Ela participou de um comício em Hamburgo, segunda maior cidade da Alemanha, com a participação de cerca de duas mil pessoas. Faltando oito dias para as eleições, a líder do partido governista CDU (União Democrata Cristã) aproveitou a reta final da campanha para atacar o partido rival SPD (Partido Social-Democrata). “A Alemanha não pode permitir que o SPD chegue ao poder. É preciso dar continuidade ao trabalho que está sendo feito para resgatar o país após a crise”, afirmou.
Apesar da presença da chanceler em Hamburgo, os oposicionistas roubaram a cena em vários momentos. Os aplausos dos simpatizantes de Merkel foram ofuscados por vaias e palavras de ordem contra o atual governo. Membros dos Verdes (Die Grüne) compareceram em peso para protestar contra a atual política energética. “Temos que acabar de uma vez com a energia atômica e investir em projetos de energia limpa”, afirmou Constanze Herrmann, 32 anos, ativista dos Verdes.
Mas Angela Merkel falou sobre o polêmico tema “energia” de forma bem superficial. “O momento de crise é apropriado para estudar novas soluções na área de tecnologia e novas formas de geração de energia”, disse a chanceler. Em nenhum momento, a chanceler falou sobre a possibilidade de suspender os investimentos em energia nuclear.
Veja o vídeo do comício de Merkel:
Segurança para candidatos
Um grande cordão de segurança foi montado no centro da cidade de Hamburgo. Só quem tinha convite pôde acompanhar o discurso de perto. Algumas pessoas ficaram irritadas com a ampla zona de isolamento. “Eles fazem propaganda, nos convidam para o comício e temos que ver tudo a muitos metros de distância, por um telão. Se soubesse que seria assim, teria ficado em casa”, declarou a advogada Terez Braun, de 42 anos, que ainda não decidiu em quem votar nas eleições.
A Alemanha dedica atenção especial à segurança dos candidatos durante as eleições, desde que, em 1990, dois políticos foram atacados enquanto faziam campanha, em dois episódios distintos.
Primeiro, foi o atual líder do partido A Esquerda (Die Linke), Oscar Lafontaine. Na época, ele era candidato à chancelaria pelo SPD. O político foi atingido por uma faca na garganta enquanto discursava na cidade de Colônia. Lafontaine se recuperou bem e não teve sequelas.
No segundo incidente, o atual ministro do Interior, Wolfang Schäuble, foi baleado com três tiros e perdeu o movimento das pernas.
O comício desta sexta-feira foi reflexo do atual momento eleitoral no país. Em uma cidade de quase 2 milhões de habitantes, duas mil pessoas compareceram ao comício da chefe de governo.
Reflexo do Afeganistão
Na semana passada, a corrida eleitoral ganhou um impulso. O partido A Esquerda (Die Linke) cresceu alguns pontos nas pesquisas de intenção de votos, depois que um ataque liderado pelas forças alemãs no Afeganistão terminou com a morte de 30 civis. A legenda oposicionista é a única no país que defende a retirada imediata dos soldados alemães do território afegão.
Ao mesmo tempo, uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo instituto alemão Forsa indica que 57% dos entrevistados acreditam que a presença alemã no Afeganistão tem pouco significado nas eleições de 27 de setembro. Apenas 15% disseram que a guerra no país asiático tem importância nesse momento.
A expectativa para o debate televisivo entre os dois principais candidatos também contribuiu para o aumento do interesse dos eleitores. Entretanto, os recentes acontecimentos não foram suficientes para esquentar a disputa: o debate entre os rivais de partido, mas aliados na coalizão, Angela Merkel (CDU) e Frank-Walter Steimaier (SPD), não teve polêmicas e nem ataques.
As últimas pesquisas de intenção de voto apontam o CDU como líder na disputa, com 38% da preferência do eleitorado. Em seguida, vem o SPD, do ministro do Exterior Frank-Walter Steimeier, com 25%. Os liberais do FDP têm 14%, e Os Verdes estão empatados com A Esqueda, com 10% cada um.
Especialistas tratam a vitória do CDU, de Angela Merkel, como uma certeza. As discussões em torno das coalizões continuam a ser o grande assunto em torno da eleição.
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