Na Argentina, pobreza atrai aposentados e grávidas para o narcotráfico
Na Argentina, pobreza atrai aposentados e grávidas para o narcotráfico
O narcotráfico na Argentina vem envolvendo pessoas que até então se mantinham distantes da criminalidade. Conforme denuncia reportagem publicada hoje (13) no jornal Clarin, na zona chamada de Grande Buenos Aires, que inclui regiões vizinhas à capital, traficantes de drogas estão recrutando grávidas e aposentados para trabalhar no tráfico em troca de favores monetários.
O promotor Alejandro Castro Oliveira, encarregado da promotoria de drogas para toda a região, explicou que alguns aposentados chegam a receber entre 100 e 200 pesos (50 e 100 reais) por dia para montar pontos de venda em suas casas. “Os criminosos sabem que se os idosos forem presos, têm a possibilidade de cumprir prisão domiciliar, devido à idade”, explica Oliveira.
O mesmo acontece com as grávidas. “Vemos mães com bebês em muitas bocas de fumo. Eu coloco esse fato como agravante na hora do julgamento, por terem criado crianças nessas condições”, completa Oliveira.
Acertos de contas cresceram
Uma dessas crianças era Bárbara, uma menina de oito anos que, na semana passada, levou um tiro na nuca enquanto brincava de pular corda. Seu pai era perseguido e a morte foi uma vingança.
Segundo o Ministério de Segurança de Buenos Aires, no primeiro semestre de 2007 cerca de 7 % dos homicídios na região foram em decorrência de “ajustes de contas” – o número subiu para 18% em 2008 e esse ano já registra 25%.
Maria Delia Recalde, que trabalha na promotoria 9 de Lomas de Zamora, uma das regiões mais afetadas, disse que os traficantes matam para ganhar território ou marcar sua zona. “Estão surgindo grupos que querem ter casa por casa dos bairros. O conflito se dá quando alguém quer trocar de fornecedor”, explica Maria. Segundo ela contendas motivadas pelo narcotráfico dobraram nos últimos dois anos.
“Pedimos mais esforços para a polícia”, conta Maria. “Temos de aprofundar as investigações porque, sem provas, não podemos julgar os casos”. Segundo a promotora, algumas casas têm um mecanismo em suas portas que funcionam como uma espécie de janelinha, por onde só passa somente uma mão. Dessa forma, o comprador não consegue ver quem lhe vende a droga, evitando que se criem provas.
Moradores do sul da região de Luis Guillon, afirmam que aquela é a área onde mais crescem esses tipos de estabelecimentos. Isso se deve a algumas vantagens naturais da região: a delegacia mais próxima está localizada a mais de 20 quadras, não existem câmeras de seguranças e há uma saída rápida para o Camino de Cintura – uma região caracterizada por seus galpões.
Vizinhos afirmaram que os consumidores da droga são moradores da região ou de lugares vizinhos, pertencentes a todas as classes sociais. Os vendedores aceitam esse trabalho muitas vezes por necessidade “sem saber onde estão se metendo”, diz a promotora.
Legalização
Desde o dia 25 de agosto os argentinos podem fazer uso de maconha de forma pessoal e em pequena escala para maiores de idade. Entretanto, a quantidade considerada como “pequena escala” não foi especificada.
O objetivo do governo era focar mais a busca por traficantes e a rede de tráfico do país, não os usuários, poupando assim dinheiro que seria gasto com “caros processos para milhares de casos menores”, como declara o documento judicial liberado pela Suprema Corte do país com a decisão.
A carta ainda classifica que “todo adulto é livre para tomar decisões sobre o estilo de vida sem a intervenção do Estado”.
O Centro de Informação Judicial esclareceu que a corte “não ordenou a descriminalização geral do consumo de maconha”, mas “disse que é inconstitucional castigar um adulto por consumir, se ele não coloca terceiros em risco”.
Na resolução, os juízes também pediram para “adotar medidas de saúde preventivas, com informação e educação dissuasiva do consumo, focalizada, sobretudo, nos grupos mais vulneráveis, especialmente os menores, a fim de dar adequado cumprimento aos tratados internacionais de direitos humanos assinados pelo país”.
Segundo o relatório mais recente da ONU (Organização das Nações Unidas) lançado sobre as drogas, a Argentina é o país da América Latina que mais consome cocaína. Sua população é de cerca de 40 milhões de pessoas.
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