Multidão nas ruas contra fechamento de companhia elétrica no México; governo aceita negociar
Multidão nas ruas contra fechamento de companhia elétrica no México; governo aceita negociar
Mais de 300 mil pessoas, segundo o SME (Sindicato Mexicano de Eletricistas) e o governo do Distrito Federal, encheram as ruas do centro da Cidade do México, em protesto contra o decreto do presidente Felipe Calderón que fecha a empresa LyFC (Companhia de Luz e Força do Centro), tirando o emprego de 44 mil trabalhadores. O governo aceitou negociar.
Desde o Angel de Reforma até o Zocalo Capitalino, uma multidão de pessoas invadiu pacificamente o centro do Distrito Federal na tarde de ontem (15) para pedir que seja revogado o decreto e que os funcionários da LyFC voltem ao trabalho.

Além do SME e do movimento de resistência civil, liderado por Andres Manuel Lopez Obrador, adversário de Calderón na última eleição, participaram da marcha trabalhadores de diversos setores.
“Marchamos para que o governo dê um passo atrás, afirma Victor San Juan, aposentado pela LyFC e delegado do SME, porque nós não o faremos. Esta empresa é nossa. Reivindicamos nosso direito de manifestar nossa opinião”.
O governo federal aceitou negociar com o SME, como informou hoje o secretário geral do sindicato, Martin Esparza. O mediador escolhido para a negociação é o chefe de governo do Distrito Federal, Marcelo Ebrard. O motivo, segundo Esparza, é que “o Distrito Federal é o principal cliente da extinta LyFC”. Segundo o governo, o termo da negociação é a busca de “uma saída aceitável para os trabalhadores”.
Greve geral
O sindicato e o movimento estão decididos a transformar o protesto numa greve geral em todo o país, envolvendo todo o movimento operário mexicano, caso o governo não retire o decreto e não devolva o emprego de mais de 44 mil trabalhadores da LyFC. Se isso não acontecer, a mobilização continuará “até que Calderon deixe a presidência”, assegurou Esparza.
O líder dos sindicato dos telefonistas, Francisco Hernández Juárez, e o deputado Porfirio Muñoz Ledo, do Partido dos Trabalhadores, revelaram ontem que a Câmara dos Deputados aprovou a criação de uma comissão especial para auditar a Companhia de Luz e Força do Centro, e afirmaram que muitos partidos políticos não descartam a possibilidade de haver uma controvérsia constitucional por trás do decreto de fechamento da empresa.

Apagões
Antes da marcha, os apagões e falta de luz em toda cidade continuaram acontecendo. “E a PFP [Policia Federal Preventiva] continua nos chamando para propor arrumar as subestações porque os técnicos da CFE (Comissão Federal de Eletricidade) não podem com isto”, declarou Tito Carrillo, técnico da LyFC, com 27 anos de carreira na empresa.
“Têm nossos números porque a subsecretária de energia, Georgina Kessel Martinez, pediu todos os arquivos da empresa. Até me ofereceram pagar seis vezes o que ganho por semana, mas eu respondi xingando!”, disse.
*Texto e fotos.
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