Sábado, 16 de maio de 2026
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As primeiras 50 multas aplicadas pela polícia a integrantes do governo britânico que participaram de festinhas em pleno lockdown Reino Unido levaram o primeiro-ministro Boris Johnson de volta à berlinda. A oposição aumentou a pressão por sua renúncia, o que ele garante que não fará. 

O premiê e o ministro da Fazenda, Rishi Sunak, outra figura de destaque deste governo, pagaram as multas, se desculparam publicamente e disseram que vão se concentrar nas grandes questões que afligem os eleitores, como a inflação e o custo do gás. 

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O Partygate — como ficou conhecido o escândalo das confraternizações clandestinas — fez de Johnson o primeiro chefe de governo britânico a ser sancionado por infringir a lei enquanto ocupa o cargo. Johnson está na mira de colegas no partido conservador, que, por ora, deixaram de pedir a sua cabeça. O país terá eleições regionais em maio, um teste de fogo para primeiro-ministro. O pleito será o termômetro de sua popularidade, que está em baixa.

Os integrantes da legenda esperam as eleições para decidir o que farão em relação à liderança do partido. Alguns ardorosos defensores da renúncia semanas atrás passaram inclusive a dizer que não é hora de Johnson deixar o posto. Em favor do primeiro-ministro, há o seu desempenho no contexto da guerra da Rússia na Ucrânia, que tem sido bem visto pelo eleitorado.

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Por mais que ele pareça estar em uma posição um pouco menos exposta nesse momento, já que o fogo-amigo de dentro do seu partido diminuiu, Johnson acaba de ter novo revés: perdeu o vice-ministro da Justiça. O conservador David Wolfson pediu demissão depois do anúncio das multas. Ele criticou a resposta oficial à penalidade e as repetidas infrações. 

Escândalo das confraternizações surpresas fez de Johnson o primeiro chefe de governo britânico a ser sancionado por infringir a lei enquanto ocupa o cargo

Andrew Parsons / No 10 Downing Street

Premiê Johnson e o ministro da Fazenda de seu governo, Rishi Sunak, pagaram as multas por festas secretas

O parlamentar disse ainda que “não teve outra opção” senão entregar o cargo, dadas as suas obrigações profissionais na pasta.

Outra investigação em curso

Outras multas podem estar a caminho, inclusive tendo como alvo o próprio Johnson, que teria participado de uma segunda festa. Além disso, o país aguarda com ansiedade, desde o final do ano passado, o relatório final da corregedora Sue Gray. Ela conduz outro processo de investigação independente sobre as festas entre Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro, e outros ministérios. A depender do resultado, o inquérito pode complicar ainda mais a situação de Johnson e seu governo.

Neste momento, há ainda outro debate nacional que toma as primeiras páginas dos jornais a afligir o partido da situação às vésperas da eleição. Foi revelado que a mulher do ministro da Fazenda, Akshata Murty, filha de Narayana Murty, conhecido como o Bill Gates da Índia, não paga seus impostos no Reino Unido, por ter status de não residente.

Embora não esteja fazendo nada ilegal, o caso deu munição a críticos do governo para apontar o que consideram a hipocrisia de o responsável pelos cofres públicos, a quem cabe decidir sobre os tributos – que subiram este ano, assim como o custo de vida em geral –, ser casado com uma bilionária que foge dos impostos no país. Para tentar conter a polêmica, ela anunciou que mudará o domicílio fiscal para passar a contribuir para o fisco britânico.

Sunak é um dos nomes mais cotados para substituir Johnson no futuro próximo. O vazamento das informações tributárias de sua mulher está sendo investigado.