Mulheres organizam manifestação própria contra governo do Iêmen
Mulheres organizam manifestação própria contra governo do Iêmen
Pela primeira vez desde que eclodiram os protestos políticos na capital do Iêmen, as mulheres organizaram nesta quinta-feira (24/02) sua própria manifestação diante da Universidade de Sanaa para exigir a renúncia do presidente do país, Ali Saleh.
Dezenas de vozes femininas uniram-se aos milhares de manifestantes contrários ao regime de Saleh que desde o início desta semana permanecem acampados em uma praça próxima à universidade.
As manifestantes, a maioria ativistas de direitos humanos, seguraram cartazes que diziam frases como “estamos cansadas de ti (Saleh)”.
Na praça, milhares de pessoas uniram-se em suas reivindicações contra o regime e aproveitaram para realizar as orações do meio-dia e da tarde.
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“A única reivindicação dos homens e das mulheres é derrubar o regime”, disse a presidente de uma organização iemenita a favor dos direitos das mulheres, Amal al Basha. Ela criticou o fato de a participação das mulheres na vida pública ser limitada, mas se mostrou otimista quanto ao futuro. “Embora hoje o número (de mulheres) seja pequeno aqui (na praça), ele aumentará”, disse.
Os manifestantes concentrados nos arredores da Universidade de Sanaa, que se transformou no palco dos protestos, afirmaram que a polícia proíbe a entrada de alimentos, água e cobertores na praça.
Os protestos desta quinta-feira desenvolveram-se de forma tranquila, apesar de inúmeros registros de enfrentamentos entre os partidários do governante iemenita e opositores terem ocorrido nos dias anteriores.
Na noite de terça-feira, pelo menos duas pessoas morreram e 17 ficaram feridas em confrontos diante da Universidade de Sanaa. Estes enfrentamentos provocaram a morte de um seguidor do Congresso Geral do Povo e de um membro da oposição.
Na quarta-feira, Saleh ordenou à polícia que impedisse choques entre os dois grupos e ressaltou a necessidade de seus opositores e seguidores expressarem suas opiniões de forma pacífica.
Além dos protestos contrários ao regime, fontes da segurança revelaram que cerca de um milhão de simpatizantes de Saleh participaram nesta quinta-feira de um ato de apoio ao presidente na em uma província a cerca de 200 quilômetros ao oeste de Sanaa.
Por sua vez, o Ministério do Interior iemenita disse que as medidas de segurança nas avenidas de Sanaa foram reforçadas para deter “qualquer terrorista que queira infiltrar-se na capital para se aproveitar dos protestos”.
Os protestos políticos no Iêmen tiveram início no final de janeiro e forçaram Saleh a desistir de introduzir emendas constitucionais, com as quais pretendia não limitar o número de mandatos presidenciais.
Esta decisão, no entanto, não conseguiu acalmar os manifestantes nem satisfazer os grupos opositores, que Saleh já convidou em algumas ocasiões para um diálogo político.
Na tentativa de achar uma solução para a crise, o chefe da maior tribo do Iêmen anunciou nesta quinta-feira que tinha uma iniciativa para fazer uma mediação entre os partidos opositores e o presidente.
Um acordo que parece distante enquanto Saleh reiterar que não renunciará ao poder. Os manifestantes, incluindo as mulheres presentes nesta quinta-feira nos arredores da universidade, exigem sua saída incondicional.
Uma ativista que participava dos protestos ressaltou que as mulheres iemenitas são valentes e permanecerão junto dos homens para pedir a queda do regime.
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