Domingo, 10 de maio de 2026
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O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, se encontrou com Lula, seu aliado de longa data, na última quarta-feira (01/03), dentro do Palácio do Planalto. Os políticos latino-americanos participaram de uma reunião da Confederação Sindical das Américas, realizada em Brasília.

Em discurso, Mujica criticou a falta de coordenação regional entre os países americanos durante a pandemia de covid-19. O uruguaio destacou que Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, havia mencionado patentes coletivas, mas não agiu em conjunto com as nações latinas para criá-las.

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“Nós das Américas representamos 6% ou 7% da população mundial, mas tivemos 30% das vítimas de covid-19”, destacou o líder no início de sua fala.

Mujica, no entanto, não teria mencionado apenas os Estados Unidos. O político lembrou que a Europa, a China e a Rússia também não desenvolveram parcerias com países da América Latina para combater o coronavírus.

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“Essa é uma lição que precisamos aprender. Precisamos nos unir para defender o nosso comércio, as nossas leis e para auxiliar os nossos trabalhadores”, argumentou.

Ao abordar possíveis diálogos com a Europa, o uruguaio afirmou que “precisamos ter coragem, porque o Brasil é grande e forte, mas ele não vai ter a força necessária se não unirmos todos para modificarmos as regras. Ninguém vai nos dar de presente a nossa prosperidade”. 

“Quando dependemos do sistema financeiro internacional, das regras que eles estabeleceram, dos regimes de transporte estabelecidos por eles, vemos que os benefícios vão para outros lugares do mundo e não chegam até nós”, finalizou. 

O ex-presidente do Uruguai terminou seu discurso agradeçendo Lula, “por ter chegado até aqui e nos trazer esperança”. 

Ex-presidente do Uruguai se encontrou com Lula na última quarta-feira (01/03); em discurso, teceu críticas a Joe Biden, Europa, Rússia e China

Ricardo Stuckert

Políticos participaram de reunião da Confederação Sindical das Américas feita em Brasília

Leia o discurso na íntegra:

Nós das Américas representamos 6% ou 7% da população mundial, mas tivemos 30% das vítimas de Covid-19. Não houve nenhuma reunião das Américas, dos presidentes das Américas, que viessem a trabalhar conjuntamente. Sabemos que temos quatro ou cinco países que podem fabricar vacinas e nós não pudemos lutar como um verdadeiro continente em prol das vidas dos nossos filhos. 

Não pudemos tampouco trabalhar de forma unida e precisamos ter consciência das nossas fraquezas para nunca mais cometermos esse erro, de não termos coragem de nos unir para nos defender. Ou seja, junto com Brasil, Colômbia, Chile, com a esquerda e com a direita nos defendermos como América. 

Isso porque? Por que ninguém vai nos dar os nossos direitos e a nossa prosperidade se não soubermos lutar por isso conjuntamente. Vimos que o segundo discurso do Biden nos EUA mencionou sobre o acordo para trazer patentes coletivas [para vacinas], mas depois ele calou a boca. 

A China tinha conhecimento, a Rússia tinha conhecimento, a Europa tinha conhecimento e os EUA tinham conhecimento e calaram a boca quando deviam lutar para multiplicar a produção de vacinas para salvar vidas.

Essa é uma lição que precisamos aprender. Precisamos nos unir para defender o nosso comércio, as nossas leis e para auxiliar os nossos trabalhadores. Eles acabam impondo as regras deles como se essas regras fossem do mundo inteiro, inclusive as regras financeiras, e nós ficamos padecendo. Isso é histórico.

Daqui a pouco haverá uma grande discussão entre Europa e América. E aí? O que vamos levar até eles? Dez, quinze discursos diferentes ou um só discurso, com um acordo continental sobre o que temos que dizer?  E queremos chamar o Brasil para nos representar. 

Precisamos ter coragem porque o Brasil é grande e forte, mas ele não vai ter a força necessária se não unirmos todos para modificarmos as regras. Ninguém vai nos dar de presente a nossa prosperidade. 

Isso não é algo de esquerda ou direita. É algo que diz respeito a não continuarmos sendo bobos, estúpidos, porque sabemos que os trabalhadores perdem parte dos seus salários porque existe a grande burguesia que sabemos que essa pouca grande burguesia latino-americana também acaba perdendo porque sabemos que para produzir e vender é necessário trabalhar com o menor preço possível. 

E quando dependemos do sistema financeiro internacional, das regras que eles estabeleceram, dos regimes de transporte estabelecidos por eles, vemos que os benefícios vão para outros lugares do mundo e não chegam até nós. Sabemos que somente nos unindo é que poderemos começar a mudar as regras do jogo. 

Obrigado Lula por ter chegado até aqui e nos trazer esperança. Você viverá para sempre. Um grande abraço.