Quinta-feira, 23 de abril de 2026
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O presidente do Uruguai, José Mujica, ao tomar posse hoje (1º), pediu a continuidade de “uma pátria para todos”, e antecipou uma política econômica “ortodoxa” com prioridade em programas sociais e na educação, além de uma aposta renovada na América Latina e no Mercosul.

“Eu me comprometo por minha honra a desempenhar lealmente o cargo que me foi confiado e a defender a Constituição da República”, disse Mujica, ao lado do novo vice-presidente do país, Danilo Astori, e da primeira-dama, que também preside a Assembleia Geral (congresso uruguaio).

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Na cerimônia, que antecede a transmissão da faixa presidencial, Mujica também agradeceu a todos os presentes e afirmou que fará “tudo para criar as condições para governar por 30 anos com políticas de Estado, tanto na educação quanto na segurança e na matriz energética”.

“Nosso programa se resume em três palavras: mais do mesmo. Vamos dar ao país cinco anos a mais de gerenciamento profissional da economia. Seremos sérios na administração dos gastos, no trato dos déficits, na política monetária e, mais que sérios, seremos cães de guarda na vigilância do sistema financeiro”, afirmou Mujica em um discurso de cerca de 50 minutos.



Iván Franco/EFE


“Vamos ser quase ortodoxos na macroeconomia, mas vamos compensar largamente sendo heterodoxos, inovadores e atrevidos em outros aspectos, em particular em ter um estado ativo no estímulo, um país 'agrointeligente'”, continuou.

Mujica, que é o 52º presidente da história do Uruguai e o sexto após a última ditadura (1973-1985), afirmou ainda que não irá “repetir os erros do passado, em particular os que aconteceram dos anos 1950 aos 1970, quando a sociedade – talvez com boa intenção – desperdiçou enormes recursos”.

“Queremos transformar a realidade, terminar com a indigência, que as pessoas tenham trabalho, saúde, previdência social. E nada disso se consegue com gritos”, enfatizou.

Por isso, “vamos buscar o diálogo, não porque somos bons ou mansos, mas porque acreditamos que esta ideia da complementaridade é a que melhor se ajusta à realidade de hoje” e “vamos continuar a construir uma pátria para todos”, continuou. 

Tabaré Vázquez entrega a faixa presidencial a Mujica:

América Latina

“Não vamos esperar de braços cruzados que nos tragam o destino ou o mercado: vamos sair em busca deles”, complementou Mujica, ressaltando o interesse em aprofundar a inserção internacional do Uruguai no mundo e na América Latina.

Sobre a região, o novo presidente, de longa militância na esquerda e ex-guerrilheiro tupamaro, afirmou que a região é como “uma família balcanizada que quer juntar-se, mas não pode”, em referência à região dos Bálcãs, fragmentada em guerras nos anos 1990.

“Continuamos fracassando ao fazer a pátria grande, pelo menos até agora, mas não perdemos a esperança porque os sentimentos estão vivos. Do rio Grande às Malvinas vive uma única nação: a nação latino-americana”, afirmou.

Globalização

Mujica também dedicou parte de seu discurso ao Mercosul, do qual o Uruguai fará parte “até que a morte nos separe”. Ele pediu “uma atitude recíproca” de todos os membros “de maior envergadura econômica”, referindo-se a Brasil e Argentina.

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Em outro momento, Mujica considerou que a “globalização é um fato irreversível” e enfatizou que “embora a ideia de fechar-se tenha ficado obsoleta, o protecionismo continua vivo, protagonizado por unidades de tamanho continental”.

Entre as autoridades estrangeiras presentes nos eventos que marcam a transferência da faixa presidencial – que será entregue por Tabaré Vázquez a Mujica – estão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a argentina Cristina Kirchner, o paraguaio Fernando Lugo e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. 

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Mujica promete "mais do mesmo" ao tomar posse no Uruguai

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