Terça-feira, 14 de abril de 2026
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Apesar de o presidente eleito do Uruguai, José Mujica, tomar posse no dia 1 de maio, a transição do governo do país já começou. Ontem (29), em um ato com a presença de Tabaré Vázquez e membros do atual gabinete, foram apresentados os futuros ministros de Mujica.

No gabinete do futuro governo, há ex-guerrilheiros tupamaros e social-democratas de perfil técnico. O novo Executivo uruguaio será composto por representantes de todos os setores, da coalizão governista Frente Ampla, que assumirá com Mujica seu segundo mandato presidencial seguido, e dos Partidos Nacional, Colorado e Independente.

Segundo Mujica, não há a necessidade “de chegar a uma posição única, [os integrantes] podem ter até duas ou três” opiniões em torno dos acordos.  Ele afirmou também que as discussões devem ser vistas com “liberdade de cabeça”, pois não são “debates de minorias e maiorias”, mas sim uma busca por “construir em conjunto”.

Durante a cerimônia, Tabaré Vázquez entregou oficialmente os relatórios preparados por seus ministros para agilizar os trabalhos de transição. O presidente disse que a ideia é oferecer aos seus sucessores uma transição “profunda, transparente e generosa”, que lhes ofereça “elementos substanciais para trabalhar plenamente desde o início da gestão”.

Vázquez, que em 2005 se tornou o primeiro presidente de esquerda em um país dominado historicamente pelo Partido Colorado, de centro-direita, é da mesma legenda que Mujica, a Frente Ampla.

Indicados

Foi nomeado Eduardo Bonomi como ministro do Interior, cargo a partir do qual chegará posteriormente. Bonomi, que já foi ministro do Trabalho com Vázquez, compartilha com Mujica sua antiga militância na guerrilha tupamara na década de 70, que custou ao futuro presidente 13 anos de prisão antes e durante a ditadura militar (1973-1985).

Outra nomeação é a de Luis Rosadilla à frente do Ministério da Defesa. Padeiro de profissão, também foi militante tupamaro e passou nove anos ba prisão e fechado em quartéis militares antes da restituição da democracia.

Outro ex-guerrilheiro, o atual intendente (prefeito) de Montevidéu, Ricardo Ehrlich, ocupará o ministério da Educação e Cultura.

Ehrlich também foi detido por sua militância tupamara e foi para o exílio na França. Ele se dedicou ao ensino e à pesquisa no campo da bioquímica, trabalho pelo qual é reconhecido internacionalmente.

A pasta de Relações Exteriores ficará com Luis Almagro, diplomata de carreira e atual embaixador do Uruguai na China.

A gestão econômica, na qual o vice-presidente Danilo Astori terá um destacado trabalho, ficará nas mãos de diversos especialistas de perfil técnico e representantes dos setores mais moderados da Frente Ampla.

À frente da pasta de Economia estará Fernando Lorenzo, homem de confiança de Astori procedente do Novo Espaço (corrente democrata cristã); a de Indústria ficará com Roberto Kreimerman, engenheiro químico com experiência nos setores público e privado; a de Saúde, com o economista Daniel Olesker, também socialista.

O ministro de Turismo e Esportes será Héctor Lescano, o único dos do atual Governo que manterá o cargo, e o de Trabalho e Seguridade Social será Eduardo Brenta.

Completam o Gabinete o social-democrata Enrique Pintado no Ministério de Transporte e Obras Públicas, o independente Luis Aguerre no de Pecuária, Agricultura e Pesca, e a comunista Ana Olivera no de Desenvolvimento Social.

Mujica apresenta membros do novo gabinete

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