Sexta-feira, 24 de abril de 2026
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Moscou vai voltando à normalidade pouco a pouco, depois do atentado duplo que deixou 39 mortos e mais de 70 feridos na segunda-feira (29). A prefeitura declarou luto oficial nesta terça-feira (30) e o governo russo se comprometeu a endurecer a luta contra o terrorismo.

Na manhã de hoje, o clima na cidade ainda era de medo e ansiedade. O metrô da capital russa registrou menos passageiros do que o habitual, já que muitas pessoas preferiram pegar ônibus. Outros pediram alguns dias de folga. “Tenho medo de que coloquem outra bomba e prefiro ficar em casa”, admitiu o designer Pavel Nesterenko.

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Não foi somente o metrô que notou a queda de movimento após os atentados. O gerente de loja Aleksei Erofeiev, que trabalha no shopping Schuka, no noroeste da cidade, disse que “parecia mentira ver a praça de alimentação tão vazia depois das 18h”. Hoje não havia fila nem nos bancos nem nas lanchonetes. Todos estavam nas estações de Lubyanka e Park Kultury ou na Catedral do Cristo Salvador, onde se concentravam as homenagens às vítimas. As bandeiras a meio-mastro e as flores indicavam que o dia era de luto.

Sandro Fernandes



Guardas municipais protegem homenagem aos mortos na estação de metrô de Lubyanka

As fortes medidas de segurança foram mantidas nas estações de metrô e nos aeroportos da cidade. O aumento do contigente policial nas ruas era visível e as checagens de passaporte, frequentes. Durante uma reunião de emergência, o presidente Dmitri Medvedev considerou a possibilidade de uma emenda constitucional para facilitar a luta contra o terrorismo, sem detalhar eventuais reformas.

“Eu tenho mais medo da polícia do que dos terroristas”, dizia a professora de inglês Nádia Gulakova. “Os policiais são corruptos, covardes. Estão sempre em duplas ou trios e não estão preparados para lidar com as pessoas”.

Brasileiros

Os brasileiros que moram em Moscou notam o clima de desconfiança e temem que os estrangeiros sofram com as possíveis mudanças. “Sou carioca, mas tenho feições árabes”, comentou a professora universitária Ana Tereza Andrade. “Um amigo russo disse que era melhor eu ficar em casa por estes dias. Estou assustada”.

As televisões russas cancelaram os programas de entretenimento e exibiram durante todo o dia documentários sobre o conflito tchetcheno e relatos de familiares e amigos das vítimas.

Para a russa Aina Agamalieva, os atentados de Moscou vão ser lembrados como “o maior milagre que poderia ter acontecido na vida”. Ela estava na estação Park Kultury no momento da explosão, mas em outra linha. “Todas as pessoas queriam entrar no primeiro metrô e ir embora dali. Acho que, na hora, todo mundo pensou que fosse algo na rua. Tive de esperar quase 10 minutos para poder ir para a outra estação”, declara. “Só de pensar no pânico que foi aquela manhã, fico com vontade de chorar. Alguém lá em cima gosta de mim”.

“Nasci de novo”

A estudante Anastássia Chuklova, de 21 anos, também escapou por pouco. “Eu estava chegando à plataforma quando explodiu a bomba em Lubyanka. Voltei pelas escadas rolantes e liguei pra casa avisando que estava bem. Nunca pensei que fosse viver um atentado tão de perto”.

Sandro Fernandes



Filipeta convocando para a manifestação “Sem palavras” desta quarta-feira

Medvedev prometeu elaborar “um sistema de controle do transporte público”. O primeiro-ministro, Vladimir Putin, interrompeu a viagem à Sibéria e passou o dia visitando feridos em um hospital de Moscou.

Uma manifestação chamada Bez slov (em russo, “Sem palavras”) foi convocada para as 19h30 (12h30 de Brasília) desta quarta-feira (31) em frente ao metrô Lubyanka, um dos cenários da tragédia.

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Moscou vive dia seguinte a atentados entre medo e desconfiança

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