Missão parlamentar brasileira em Honduras se divide com visita a golpista
Missão parlamentar brasileira em Honduras se divide com visita a golpista
O grupo de deputados brasileiros que visitou Honduras nesta semana se dividiu depois da decisão de quatro deles de se encontrar com o líder do governo golpista, Roberto Micheletti. Os parlamentares Ivan Valente (PSOL-SP) e Janete Pietá (PT-SP) se recusaram a participar da reunião.
“[O encontro] Foi um retrocesso no final da viagem. Já havíamos acordado de que não visitaríamos Micheletti, pois isso seria um reconhecimento do regime e isso eu não estava disposto a aceitar”, explicou Ivan Valente em entrevista ao Opera Mundi.
O deputado afirmou também que Micheletti poderá até usar este ato dos deputados brasileiros em favor dele, como uma forma de legitimar o governo golpista. “Sou a favor do isolamento do regime, por isso não queria me prestar a esse papel [do encontro com o líder da ditadura]”, ressaltou.
Ainda segundo Valente, a missão foi interparlamentar, já que foi o parlamento hondurenho quem “abriu as portas e ajudou a quebrar a barreira militar para entrada na Embaixada do Brasil”.
O encontro dos deputados Raul Jungmann (PPS-PE), Bruno Araújo (PSDB-PE), Cláudio Cajado (DEM-BA) e Mauricio Rands (PT-PE) com Micheletti aconteceu nesta sexta-feira, último dia da missão.
Sobre a conversa com o governo golpista, Jungmann falou à Agência EFE que “Micheletti deu amplas garantias para a embaixada”. E acrescentou: “Abordamos também a questão do estado de sítio que agora rege em Honduras (…) O presidente Micheletti disse: 'Não, não é um estado de sítio, é uma restrição às garantias individuais e vou suspendê-lo'”, afirmou.
Segundo o deputado, para os latino-americanos “o fantasma do golpe de Estado é algo horrível” e, por isso, apoiam uma saída à crise mediante o diálogo.
Os deputados pediram, além disso, que em Honduras aconteçam eleições “legítimas, amplas e transparentes”.
Após a visita, Micheletti disse, em nota, “ter toda a disposição” de estender o prazo de dez dias dado ao governo do Brasil para o relatório sobre o status de Zelaya dentro da representação diplomática brasileira. Entretanto, o comunicado divulgado hoje (3) não contém informações sobre uma nova data.
Além disso, segundo a nota, o líder golpista diz que “ofereceu absolutas seguranças aos membros do Congresso brasileiro, no sentido de que se respeitará em todos os âmbitos as instalações físicas da representação brasileira em Tegucigalpa, assim como a integridade das pessoas que a estão ocupando”.
Avaliação positiva
Apesar do racha no final da viagem, o grupo de deputados brasileiros avaliou como “proveitosa” a missão em Honduras.
“Deixamos uma mensagem da experiência brasileira com as crises. Para nós, que tivemos ditadura, as instituições são fundamentais”, declarou o coordenador da missão, Raul Jungmann à agência EFE.
Para o deputado Ivan Valente, o objetivo de chegar à embaixada, romper o cerco militar, conversar com diplomatas brasileiros e com o próprio presidente deposto foi alcançado. “Conseguimos a garantia da Suprema Corte e do Congresso de que não haveria violação à embaixada brasileira”, pontuou.
Valente ressaltou também que a conversa com Manuel Zelaya fluiu no sentido de buscar saídas para o impasse entre o governo golpista e o governo eleito, o que ainda não foi alcançado. “Até agora, Zelaya negou todas as propostas dos golpistas. O que ele quer é voltar ao governo e cumprir o seu mandato até janeiro”, comentou.
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