Minsk vive clima atípico para eleições enquanto candidato denuncia agressão
Minsk vive clima atípico para eleições enquanto candidato denuncia agressão
(atualizada às 18h)
O centro de Minsk era aparentemente apenas o centro de uma cidade europeia em uma normal noite de domingo em dezembro. Centenas de pessoas comprando presentes de Ano Novo, como é costume em partes do Leste Europeu. Outras centenas caminhando para ver a decoração de fim de ano. Nada muito diferente de outra capitais do continente.
Mas a Bielorrússia realizou eleições presidenciais neste domingo (19/12) e, segundo os dados oficiais, a votação transcorreu com normalidade e pesquisas indicam vitória do atual presidente, Aliaksandr Lukachenka. Se for confirmado o resultado, ele – que está no cargo desde 1996 – ganhará o quinto mandato seguido. Pesquisas oficiais de boca-de-urna apontam que Lukachenko obteve quase 75% dos votos, enquanto centros ligados à oposição indicam que o atual presidente não atingiria 40%.
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“Amanhã ninguém vai se lembrar de nada. Teremos mais quatro anos de Lukachenko. Essas pessoas gostam de criar tumulto”, declarou a aposentada Kate Tchumakova.
No entanto, foram registrados poucos, mas importantes incidentes. Dois candidatos da oposição, Mikola Statkevitch e Andrei Nekliaev, informaram à imprensa que foram atacados na rua quando caminhavam na direção da praça de Outubro (ou Kastritchnitskaya), no centro da capital. O porta-voz de Nekliaev confirmou a informação ao Opera Mundi e disse que o candidato está hospitalizado com uma ferida na cabeça.
Em cada esquina do centro de Misnk, quatro ou cinco agentes da KGB (que, na Bielorrússia, nunca mudou de nome), vestidos de preto, controlam o movimento. Estão posicionados nos principais eventos da cidade. Os canais de TV aberta, estatais, não fazem nenhum comentário sobre a manifestação organizada pela oposição.
Efe

A internet está congestionada na capital bielorrussa, dificultando principalmente o acesso a websites da oposição. A conexão, segundo os moradores, não está funcionando com a mesma velocidade habitual. Coincidência ou não, bielorrussos afirmam que também não podem acessar páginas de internet por smartphones.
“Se você quiser mudar alguma coisa na Bielorrússia, esconda o passaporte da sua avó”, ironizou uma pedestre que preferiu não se identificar ao Opera Mundi.
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O número de manifestantes nas ruas é menor do que o esperado pela oposição. Os primeiros números da televisão bielorrussa indicam que quase 90% dos eleitores votaram em Lukachenko, o que pode ter desmotivado a muitos potenciais manifestantes.
Árvore de natal
Até o início da noite, a praça Kastritchnitskaya estava vazia. Às 19h (em Brasília, 15h), porém, milhares de pessoas começaram a chegar simultaneamente, protestando contra os resultados já previstos. A concentração poderia ser maior, se houvesse mais espaço. A prefeitura local armou uma gigantesca árvore de natal e montou uma pista de patinação cobrindo quase toda a praça. A mídia internacional associou o evento a uma tentativa de atrapalhar a manifestação, mas moradores de Minsk lembram que a estrutura é montada todos os anos.
Autoridades estimam que entre 7 e 10 mil pessoas, na imensa maioria jovens, se concentraram no local, e de lá seguiram em passeata até o palácio do governo, enquanto motoristas faziam buzinaço nas ruas em volta. Entre gritos contra o governo, um dos mais curiosos era “Chávez, leve Lukachenka embora!”, em referência à relação amistosa entre o presidente e seu colega venezuelano.
Efe

Alguns chegaram com barracas, outros empunhavam a antiga bandeira do país (branca com uma listra horizontal carmesim no centro) e muitos balançavam bandeiras da União Europeia. A Bielorrússia não faz parte do bloco nem está em processo de adesão.
Legislação
A maioria dos manifestantes apareceu com o rosto coberto.
“Sou funcionário público e tenho receio de sofrer alguma represália no meu emprego se for visto aqui”, disse um dos manifestantes ao Opera Mundi
Mais cedo, Lukachenka afirmara a repórteres que nenhuma manifestação aconteceria na praça Kastritchnitskaya.
“Leiam a nossa legislação. Tudo estará de acordo com as leis. Não haverá ninguém hoje à noite”, previu.
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