Quarta-feira, 20 de maio de 2026
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O ministro de Minorias do Paquistão, Shahbaz Bhatti, foi assassinado nesta terça-feira em Islamabad, capital do país, após receber 20 tiros quando estava em seu carro. Cristão, Bhatti era considerado um dos principais defensores das causas liberais paquistanesas

A morte de Bhatti ocorre apenas dois meses depois do assassinato do governador da província de Punjab, Salmaan Taseer. Os dois eram fortes opositores às leis anti-blasfêmia paquistanesas.

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Fontes policiais relataram que os autores do crime eram um grupo de homens armados fortemente armados que conduziam um carro branco, e fugiram logo após disparar contra o ministro. Bhatti morreu no local do crime.

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As redes de televisão mostraram imagens do carro do ministro crivado de balas e também panfletos da facção provincial punjab dos talibãs paquistaneses no mesmo local. A polícia não confirmo a operação.

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Uma fonte dos serviços secretos paquistaneses (ISI) comentou que o ministro tinha saído de sua casa e seguia com o carro apoio de seguranças. As medidas de segurança em Islamabad foram elevadas depois da divulgação do atentado.

“Andar com segurança ou não era uma decisão sua. Seu motorista está sob custódia e revelou que os assassinos estavam vestidos com 'shalwar kamiz' (vestimenta tradicional paquistanesa)”, contou o inspetor geral da Polícia de Islamabad, Wajid Durani, em declarações retransmitidas pela televisão.

O primeiro-ministro, Yousuf Raza Gillani, em comunicado oficial, condenou o assassinato e lamentou que tenha ocorrido “quando toda a nação tentava construir pontes entre os fiéis de diferentes crenças”.

Bhatti era o único ministro cristão do gabinete e estava na mira dos grupos fundamentalistas islâmicos por suas ações para reformar as leis anti-blasfêmia.

As medidas de inspiração islâmica foram introduzidas no código penal paquistanês nos anos 1980 pelo ditador Zia-ul-Haq, que condenava à pena de morte quem blasfemasse. A intenção de Bhatti, que pertencia ao governista Partido Popular (PPP), era proteger não só às minorias religiosas, mas a maioria muçulmana vítima de abusos desta lei.

O governador de Punjab, que se permitia o luxo de defender publicamente a cristã condenada à morte por blasfêmia, Ásia Bibi, foi assassinado em 4 de janeiro pelo próprio guarda-costas também na capital paquistanesa, naquela ocasião no mercado de Kohsar. Bhatti não só defendeu à condenada Bibi, mas recebeu seu marido e suas filhas em Islamabad para garantir seu apoio.

O assassinato de Taseer comoveu a classe liberal paquistanesa e deixou no ar claro ambiente de ameaças a Bhatti e à ex-ministra da Informação Sherry Rehman, que reforçou desde então suas medidas de segurança.

Um grupo de advogados chegou a recebeu o assassino de Taseer com pétalas em sua entrada no tribunal. As repetidas manifestações em favor das leis anti-blasfêmia, apesar de não serem maciças, estão arregimentando adesões.

Sempre cordial com os jornalistas e solícito na hora de responder as entrevistas, Bhatti não deu nunca o braço a torcer e manteve sua ideia de mudar as leis, apesar da recusa de seu próprio gabinete. “Sei que posso ser assassinado se continuar pressionando, mas não tenho medo”, revelou em uma recente entrevista concedida à Agência Efe.

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Ministro liberal paquistanês é assassinado por grupo armado

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