Domingo, 26 de abril de 2026
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O ministro do Desenvolvimento Econômico da Itália, Claudio Scajola, envolvido em um escândalo de corrupção, anunciou nesta terça-feira (4/5) que renunciará ao cargo “para se defender” das acusações de propina em negociação imobiliária.

“Estou vivendo há dez dias uma situação de grande sofrimento”, declarou. “Estou no centro de uma campanha midiática sem precedentes e não sou investigado. Passo noite e dia acompanhando a imprensa para entender do que se fala”.

O nome de Scajola apareceu em um inquérito da Procuradoria de Perúgia, no centro da Itália, sobre contratos imobiliários. Ele é suspeito de ter recebido dinheiro pela compra de um apartamento localizado em Roma, com vista para o Coliseu.

“Estou exposto a cada dia a reconstruções jornalísticas contraditórias. Nesta situação, que não desejo a ninguém, devo me defender. E, para me defender, não posso continuar a ser ministro como fui nestes dois anos, sem nunca me poupar. Dediquei todas as minhas energias e meu tempo cometendo erros, mas pensando em fazer o bem”, defendeu-se.

A renúncia foi anunciada durante uma entrevista coletiva, na qual Scajola comentou a “estima” recebida do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, “pelo governo, pela maioria e por todo o PDL”, o Povo da Liberdade, seu partido. Ele também reconheceu “a atenção de parte da própria oposição”.

Campanha

Scajola recordou ser ligado ao primeiro-ministro “por um afeto profundo, por ele correspondido” e observou que sua demissão “permitirá ao governo levar adiante o trabalho muito importante que faz pela Itália”.

O ministro demissionário se disse alvo de uma campanha movida pela imprensa “que não dá trégua nem deixa respirar” e assegurou não estar envolvido no caso, dizendo-se “certo de que isso será demonstrado”. Disse ainda que, “para exercer a política, é preciso estar em ordem e não ter suspeitas”.

“Se tiver de esclarecer se a minha habitação foi paga por outros sem que eu saiba o motivo, a vantagem e o interesse, meus advogados executarão as ações necessárias para a anulação do contrato”, rebateu. “Não poderei, como ministro, morar em uma casa paga por outros. É a motivação que me impele a pedir exoneração”, acrescentou.

Segunda vez

Esta é a segunda vez que Scajola renuncia a um cargo de ministro. O mesmo ocorreu em 2002, quando ele ocupava a pasta do Interior no segundo governo de Berlusconi.

Em entrevista à agência de notícias italiana Ansa, o procurador de Perúgia Federico Centrone assegurou que o ex-ministro não está sendo investigado no inquérito sobre os contatos imobiliários. “Ele será ouvido como pessoa informada dos fatos e como tal o ouviremos”, explicou.

Outros ministros do gabinete de Berlusconi demonstraram solidariedade a Scajola. “Estou muito próximo a ele neste momento tão difícil”, declarou o vice-ministro do Desenvolvimento Econômico, Adolfo Urso.

“O ministro Scajola motivou sua demissão com a vontade de se defender mais livremente, separado do papel institucional. Portanto, penso que é um gesto determinante para prestar um serviço ao país”, acrescentou o ministro da Justiça, Angelino Alfano.

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Ministro italiano renuncia devido a escândalo de corrupção

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