Ministro chileno renuncia após declarações polêmicas e suspeita de superfaturação em obra
Ministro chileno renuncia após declarações polêmicas e suspeita de superfaturação em obra
O ministro de Defesa do Chile, Jaime Ravinet, apresentou sua renúncia ao posto no fim da tarde desta quinta-feira (13/1), dias depois de gerar polêmica ao recusar reportar os gastos do exército na construção de uma ponte. A saída do ministro é a primeira mudança de gabinete do governo de Sebastián Piñera, presidente do país desde março de 2010.
“Tomo esta decisão por razões particulares e pessoais”, anunciou, após uma reunião com o ministro de Interior do país, Rodrigo Hinzpeter, no Palácio La Moneda. A imagem de Ravinet, no entanto, estava em crise devido ao escândalo de superfaturação na compra de um viaduto que substituirá uma ponte destruída durante o terremoto que sacudiu o solo chileno em fevereiro do ano passado.
Frente a denúncias de uma empresa inglesa, que ofereceu o viaduto por 14 milhões de dólares, a Controladoria do país iniciou uma investigação, em outubro, da aquisição da estrutura por 16 milhões de dólares, fornecida pela empresa americana Acrow Corporation (AC). Paralelamente, uma corporação jurídica que luta pelo acesso à informação pública, chamada Conselho para a Transparência, entrou com uma petição para aceder às documentações que determinaram os critérios de compra do viaduto.
Leia mais:
Chile: salvamento, mídia e precariedade
Terremoto de 8,8 graus de magnitude atinge o Chile
Twitter vira ferramenta para encontrar desaparecidos
Vídeo mostra cidade litorânea sendo atingida pelo tsunami
Especialistas apontam que prioridades de Piñera mudaram após o terremoto
Marinha errou ao não emitir alerta de tsunami, afirma ministro da Defesa do Chile
Nos primeiros dias de 2011, o portal chileno El Mostrador publicou um documento em que Ravinet responde à entidade que a revelação forçosa das informações levaria a uma “resistência” das forças armadas “a colaborar com as autoridades civis diante de catástrofes naturais, por se verem obrigadas a exibir seu material de guerra ou equipamento para acudir e prestar auxílio à população civil”.
As declarações geraram polêmica, devido à importante atuação do exército chileno no resgate de vítimas do terremoto de fevereiro, assim como na remoção de escombros, distribuição de água e assistência sanitária. Segundo o mesmo portal, fontes dos três braços das forças armadas afirmaram que as palavras do ministro lhes colocavam em situação “incômoda”, já que conotavam um acordo prévio às declarações, que segundo elas, não aconteceu.
Gafe
No dia seguinte à publicação, a porta-voz do governo, Ena Von Baer, e o próprio ministro tentaram amenizar as afirmações: “As forças armadas são essencialmente obedientes e disciplinadas ao Poder Executivo. Portanto, sempre que a autoridade solicite, estarão dispostas a ajudar à comunidade nas catástrofes naturais”, disse Ravinet. O ministro, no entanto, sem saber que microfones estavam ligados durante uma sessão no Congresso chileno, comentou pejorativamente, nesta terça-feira (11/1), com outros deputados que a ponte não tinha nenhuma importância.
Em uma nova tentativa de se redimir, após críticas de deputados da oposição, o ministro disse hoje que “a ponte é extraordinariamente importante para a conectividade” da região e esclareceu que deve ser instalada rapidamente para solucionar o trânsito de veículos pesados. Em entrevista à rádio Cooperativa, acrescentou que a estrutura foi comprada sem licitação, devido à urgência após o terremoto, pela “lei do Cobre, que permite fazer compras diretas às Forças Armadas”.
Leia mais:
Solução para saída de Bolívia ao mar deve ser 'factível', defende Chile
Senador chileno propõe plebiscito para dar à Bolívia saída ao Oceano Pacífico
Ravinet já havia surpreendido os chilenos no início de 2010, ao aceitar o posto de ministro do governo de Sebastián Piñera, após passar por três ministérios na presidência de Ricardo Lagos, da Concertação. Na ocasião, o político se justificou, afirmando que era o “mais direitista” entre os companheiros de esquerda.
Ao anunciar sua renúncia, o ministro garantiu que não deixa o posto devido às recentes derrapadas: “Não é por nenhum assunto político, nem por diferenças importantes neste sentido. Apresentei minha renúncia é irreversível”, disse ele, ao que completou: “Há muito tempo tomei a decisão de não estar mais na carreira política. Para mim, foi uma surpresa que me pedissem para ingressar no Ministério de Defesa”.
Siga o Opera Mundi no Twitter
Conheça nossa página no Facebook
NULL
NULL
NULL























