Militares do Níger dão golpe e prendem presidente do país e ministros
Militares do Níger dão golpe e prendem presidente do país e ministros
Militares do Níger, no oeste da África, prenderam o presidente, Mamadou Tandja, e ministros do país, em um golpe de Estado dado hoje (18), segundo a imprensa da França, uma das poucas a publicar informações sobre a situação na ex-colônia francesa.
De acordo com a emissora France24, foram ouvidos tiroteios e explosões na capital, Niamey, enquanto soldados invadiam o palácio presidencial, onde Tandja estava reunido com o gabinete de governo. Segundo a RFI (Radio France Internationale), uma coluna de fumaça podia ser vista no prédio, no local do gabinete do presidente.
Segundo testemunhas entrevistadas pela mídia francesa, pelo menos três soldados teriam sido mortos na invasão.
A agência de notícias espanhola EFE, citando diplomatas franceses, informou que a situação na capital nigerina é “muito confusa” e houve um tiroteio por volta das 10h (em Brasília) perto do palácio. Outras fontes disseram à EFE que o presidente e o gabinete estão detidos contra a vontade, o que foi confirmado pela agência francesa AFP, pela RFI e pelo jornal francês Le Monde.
Citando militares nigerinos, o Le Monde atribuiu a liderança do golpe a um major do exército, Adamou Harouna.
Segundo um funcionário do palácio citado pela AFP, homens armados chegaram ao local no momento em que a reunião ministerial era realizada. Um diplomata francês citado pela France24 disse que a própria guarda presidencial teria participado do golpe.
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Já segundo um diplomata de outro país africano em Niamey, citado sob anonimato, vários membros de primeiro escalão do governo foram presos.
“Tandja está entre eles. Os rebeldes tomaram o poder”, disse.
A rádio estatal La Voix du Sahel não deu qualquer informação sobre a suposta tentativa de golpe, mas colocou para tocar ao final do dia a mesma música militar que ficou no ar após os dois últimos golpes de estado, em 1974, 1996 e 1999.
A União Africana condenou o golpe. “A UA condena sistematicamente qualquer mudança inconstitucional e, por consequência, condena a tomada de poder à força ocorrida no Níger”, afirmou o presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, em um comunicado, no qual pede “o rápido retorno da ordem constitucional”.
Ele destaca ainda que acompanha com preocupação o desenvolvimento da situação no país e que está em contato com o presidente da Comissão da CEDEAO (Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental), além de outros personagens internacionais envolvidos.
Urânio e tensão
Tensões políticas têm sido fortes nos últimos meses no país da África, que é exportador de urânio, motivadas por um referendo que permitiu a extensão do mandato do presidente, que gerou amplas críticas e sanções internacionais.
A emissora France24 entrevistou o cientista político Douglas Yates, especialista em África, que afirmou que os responsáveis pelo golpe são “líderes dos partidos de oposição, porque são eles que estão em posição para tomar o poder”.
Segundo ele, os contratos de exportação de urânio são um dos principais fatores por trás das turbulências vividas pelo país, que tem 11 milhões de habitantes e, além de francês, fala hauçá e tuaregue.
Tandja, militar de carreira, é presidente do Níger desde 1999, quando foi eleito com 32% dos votos após um outro golpe militar. Há uma semana, ele dissolveu o parlamento e o Tribunal Constitucional.
(atualizado dia 19/02 às 08h31)
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