Sexta-feira, 15 de maio de 2026
APOIE
Menu

Dezenas de milhares de pessoas marcharam no Uruguai na última segunda (20/05), demandando verdade e justiça para os desaparecidos durante a ditadura (1973-1985), uma causa à qual se uniram nas redes sociais figuras públicas como o jogador de futebol Luis Suárez.

Sob uma faixa com a mensagem “Eles sabem onde estão! Exigimos respostas. Terrorismo de Estado nunca mais!”, a 29ª Marcha do Silêncio percorreu cerca de 20 quadras no centro de Montevidéu, sendo replicada em diversas cidades do país.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

Em uma noite fria, ausentes bandeiras ou símbolos partidários, os manifestantes seguravam cartazes com fotos dos quase 200 desaparecidos. O silêncio foi quebrado apenas quando os nomes de todos foram lidos, seguidos do grito “Presente!”, antes do encerramento com o hino nacional.

Os registros oficiais contabilizam 197 pessoas desaparecidas por ações atribuídas ao Estado uruguaio entre 1968 e 1985, a maioria delas detidas na Argentina durante o período do Plano Condor de cooperação entre os regimes vizinhos.

Mais lidas

Alba González, porta-voz da associação de Mães e Familiares de Uruguaios Detidos Desaparecidos, afirmou: “As Forças Armadas, responsáveis por sequestros, torturas, assassinatos e desaparecimentos, sabem o que fizeram com nossos familiares. No entanto, movidas por algum ódio inexplicável, insistem em ocultar a verdade”, pedindo “vontade política” para descobrir o destino de seus entes queridos.

Twitter/Fenapes Uruguay
Durante protesto, manifestantes seguravam cartazes com fotos dos quase 200 desaparecidos na ditadura militar

A Marcha do Silêncio acontece anualmente em 20 de maio, data em que, em 1976, foram assassinados em Buenos Aires os legisladores uruguaios Zelmar Michelini e Héctor Gutiérrez Ruiz, junto com os membros da guerrilha tupamara Rosario Barredo e William Whitelaw.

A Instituição Nacional de Direitos Humanos e Defensoria do Povo (INDDHH), que apoiou a concentração, espera “novidades em breve” sobre a identidade dos restos de uma mulher encontrados em junho de 2023 no Batalhão de Infantaria 14, atribuídos a uma detida desaparecida.

O ex-presidente José Mujica, que participou da luta armada contra governos democráticos nos anos 1960 e 1970 e passou 12 anos na prisão, a maior parte durante a ditadura, esteve presente, mas não marchou devido ao tratamento de radioterapia contra o câncer de esôfago.

“Muitos pensavam que isso terminaria quando todos nós desaparecêssemos. Estavam errados. Passei pela Espanha e encontrei novas gerações revolvendo ossos”, declarou Mujica, referindo-se às vítimas da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e da ditadura de Francisco Franco, que perdurou até 1975.

De acordo com um recente levantamento da Usina de Percepção Cidadã, 56% da população no Uruguai considera as medidas do Estado para localizar os desaparecidos insuficientes.