Domingo, 5 de abril de 2026
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O líder da ditadura de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou no fim da segunda-feira (29) que pode rever o estado de sítio de 45 dias no país, depois de o Congresso hondurenho solicitar o fim da medida que suspende direitos constitucionais e promove a censura da imprensa.

“No momento adequado será revogado esse decreto, para que os hondurenhos possam participar das eleições”, afirmou Micheletti, referindo-se ao pleito deslegitimado pela comunidade internacional em meio à crise política após o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, a Tegucigalpa.

“Aceito o pedido [pelo fim do estado de sítio], mas eu, responsavelmente, vou consultar o Supremo Tribunal de Justiça e o Tribunal Eleitoral. Se houver possibilidade, também consultarei os candidatos presidenciais”, disse. Os golpistas querem eleições gerais em 29 de novembro.

Abrigado na Embaixada do Brasil, Zelaya se diz contra a votação promovida pelos golpistas. Candidatos presidenciais hondurenhos já afirmaram que não têm interesse em disputar o pleito na atual situação política.

Mais tarde, no início da madrugada de terça-feira no Brasil, o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA reforçou o coro pelo fim do estado de sítio em Honduras. “As liberdades inerentes nos direitos suspensos são inalienáveis e não podem ser limitadas ou restringidas sem prejudicar as aspirações democráticas do povo hondurenho”, disse Ian Kelly.

Aquele abraço

Em mais um sinal de que a administração hondurenha está pressionada, a chancelaria de Micheletti divulgou nota para dizer que as tropas golpistas vão continuar “oferecendo proteção aos escritórios do Brasil” embora “já não existam relações diplomáticas”.

Depois, o próprio Micheletti afirmou a jornalistas que apesar de se preocupar com a permanência de Zelaya na embaixada brasilera, quer “enviar Lula um forte abraço, com o carinho e o respeito que sempre tivemos por todos os países do mundo”.

Reunião da OEA

Na noite de segunda-feira o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) se reuniu para discutir a situação em Honduras. Não houve acordo sobre se o resultado das eleições prometidas para novembro será reconhecido.

No domingo, 15 diplomatas da entidade foram impedidos pelos golpistas de entrar no país. A OEA, assim como as Nações Unidas, não reconhece a administração instalada em Tegucigalpa.

Apesar da falta de acordo, a reunião da OEA criticou o estado de sítio vigente em Honduras.

O governo golpista de Honduras, liderado por Roberto Micheletti, convidou a Organização dos Estados Americanos (OEA) a enviar uma comissão avançada ao país, nesta segunda-feira (28), um dia após impedir a entrada de outra missão da OEA, que prepararia a visita de um grupo de chanceleres encarregados de mediar a crise política.

Em seguida, os golpistas divulgaram nota para “convidar a comissão avançada de funcionários da OEA para que visite Honduras a partir da próxima sexta-feira, dia 2 de outubro”.

Censura e toque de recolher

Os golpistas definiram um novo toque de recolher em Honduras entre as 22h00 e as 05h00 (horário local). Apesar do pedido do Congresso pelo fim do estado de sítio, eles não mostraram que vão aliviar na censura à imprensa.

Denúncias de agressões a jornalistas mexicanos surgiram na segunda-feira, mesmo dia em que emissoras de rádio Globo e TV 36, de posicionamento pró-Zelaya, foram tiradas do ar.

Equipamentos usados pelas duas emissoras foram levados pelas tropas dos golpistas e não há previsão de que sejam devolvidos.

Abrigo na Embaixada de Taiwan

O Ministério de Assuntos Exteriores de Taiwan defendeu nesta terça-feira (29) dar a Zoe Zelaya, filha mais nova do presidente deposto de Honduras, asilo político temporário em sua embaixada de Tegucigalpa.

Zoe, o marido e a filha ficaram na embaixada taiwanesa em Tegucigalpa de 29 de junho a 10 de julho, de acordo com fontes diplomáticas em Taipei.

“A filha mais nova de Zelaya pediu asilo político em nossa embaixada em Honduras dia 28 de junho. Estava grávida e aceitamos seu pedido por motivos meramente humanitários”, disse o chanceler taiwanês, Timothy C.T. Yang, a jornalistas.

Micheletti é pressionado a rever estado de sítio em Honduras

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