México quer ajuda brasileira para desenvolver biocombustíveis
México quer ajuda brasileira para desenvolver biocombustíveis
Além de tentar estabelecer um tratado de livre comércio, discutido desde 2002, e ampliar acordos bilaterais, a visita do presidente mexicano, Felipe Calderón, ao Brasil tem outro importante objetivo: investimentos brasileiros em petróleo mexicano e ajuda no desenvolvimento de biocombustíveis no país.
Em seu segundo dia no Brasil, Calderón visitou hoje (16) o Centro de Pesquisa da Petrobras e uma fábrica piloto onde a estatal brasileira produz etanol a partir do bagaço de cana-de-açúcar.
De acordo com fontes da Petrobras, a intenção é ampliar o acordo de cooperação tecnológica entre os países, firmado em 2005, que trata da exploração do petróleo em águas profundas. Com as negociações, pretende-se que a estatal brasileira repasse também sua experiência com biocombustíveis e refino de óleo cru pesado, segundo informações da Agência EFE.
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Investimentos
O setor de energia mexicano é muito visado pelos investidores brasileiros, segundo a Fiesp (Federação das Indústrias de São Paulo). No entanto, é necessário fazer uma reforma constitucional que permita a participação de empresas estrangeiras na exploração de petróleo, em prospecção, produção e transporte.
A Petrobras já informou que pretende investir no México, o sexto maior produtor de petróleo do mundo e a terceira maior fonte de importação do produto bruto para os Estados Unidos, e tenta se tornar parceira da estatal Pemex (Petróleos Mexicanos). A empresa mexicana, administrada apenas pelo governo, tem interesse na experiência que o Brasil possui na exploração de petróleo em águas profundas.
De acordo com a última pesquisa da consultoria Economática, divulgada no primeiro semestre deste ano, a Petrobras ficou posicionada como a empresa com maior volume de vendas na América Latina no segundo semestre do ano passado. A receita de ambas, por trimestre, varia entre 19 e 35 bilhões de dólares.
Etanol
Apesar de ser um dos principais interesses do México no Brasil, o assunto etanol e biodiesel foi tratado de modo sucinto no Encontro Empresarial Brasil-México, realizado ontem em São Paulo. O presidente Calderón disse apenas que “estamos atentos ao mercado do etanol”.
O Brasil tem interesse em estabelecer acordos nesse sentido. O presidente do Ceal (Conselho Empresarial da América Latina), Marcus Vinicius Pratini de Moraes, disse que o país quer diminuir a dependência do petróleo e desenvolver o programa de aceleração do etanol, com ajuda brasileira.
O México, que ainda não produz etanol, é dependente da gasolina. Por isso, considera um possível acordo com o Brasil bastante estratégico, diante da instabilidade do mercado de óleo e das metas de redução na emissão de gases que provocam o efeito estufa.
O Brasil é o maior produtor e exportador mundial de etanol de cana-de-açúcar. Além de ter começado a agregar biodiesel ao diesel mineral, tem cerca de quatro décadas de experiência na produção de biocombustíveis e a maioria dos veículos que produz já sai das fábricas adaptado para consumir indistintamente etanol ou gasolina.
O governo brasileiro promove a produção de biocombustíveis em outros países, especialmente na América Central, e impulsiona a criação de um mercado mundial para o etanol e o biodiesel.
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Nova refinaria no México
As seis refinarias da Pemex existentes hoje no país não produzem combustível suficiente para abastecer o mercado interno, o que obriga o governo a ajustar o preço da gasolina aos padrões internacionais.
Na tentativa de diminuir a dependência do mercado externo, uma das medidas será a construção de uma nova refinaria no México, em Hidalgo, pequeno estado situado a noroeste da capital do país. O objetivo é reduzir as importações de gasolina, que segundo as cifras oficiais, são de 390 mil barris por dia.
A nova estrutura custará cerca de 10 milhões de dólares e começará a funcionar em 2015, de acordo com informações da rede BBC. A capacidade de processamento será de cerca de 300 mil barris de petróleo por dia. Porém, ainda assim, o México terá dependência de combustível estrangeiro.
Dados oficiais indicam que 40% da gasolina consumida no país é importada, mesmo sendo o México um dos maiores exportadores de óleo do mundo.
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