Sábado, 9 de maio de 2026
APOIE
Menu

A equipe do maior jornal de Ciudad Juárez, Diário de Juárez, publicou um editorial nesse domingo (19/9) em tom de desabafo. Dias após um ataque do crime organizado vitimar um fotógrafo e deixar outro repórter gravemente ferido, o jornal enviou uma mensagem aos cartéis da droga, pedindo “trégua” na violência e que expliquem o querem da imprensa local.

Juárez, no estado mexicano de Chihuahua, na fronteira com El Paso, Texas, é uma das cidades mais violentas do mundo. Dados oficiais estimam que duas mil pessoas foram assassinadas esse ano – sendo 11 jornalistas. “O que querem de nós?”, pergunta diretamente aos traficantes o editorial.

Tudo que a grande mídia não mostra, do seu jeito.

Ícone Newsletter

Newsletter

Notícias internacionais, com análise crítica e independente. Sem filtros.
Ícone WhatsApp

Canal do WhatsApp

O mundo em movimento direto no seu celular. Informação pronta para compartilhar
Ícone YouTube

OM no YouTube

Opinião, contexto e coragem jornalística. Tudo no nosso canal. Sintonize em Opera Mundi

“Não queremos mais mortos. Não queremos mais feridos, nem tampouco intimidações. É impossível exercer nossa função nestas condições. Indiquem-nos, portanto, o que esperam de nós como meio”, afirma o texto.

No México, mais de 60 jornalistas foram assassinados e 11 desapareceram durante a última década, de acordo com a Comissão Nacional de Direitos Humanos. Na semana passada, o Instituto Internacional de Imprensa, com sede na Áustria, informou que, com os assassinatos de 2010, o México se tornou o país mais perigoso do mundo para os jornalistas.

Mais lidas

Na última quinta-feira (16/9), pistoleiros atiraram com fuzis contra o veículo do fotógrafo Luis Carlos Santiago, que morreu na hora. O ataque também feriu um jornalista que estava com ele, mas que sobreviveu. Ambos trabalhavam no Diário de Juárez. Em novembro de 2008, outro funcionário do mesmo veículo, o repórter Armando Rodríguez, foi assassinado quando saía de casa, na frente da família.

Leia mais:

Guerra contra o tráfico é 11 de Setembro mexicano, diz jornalista

Narcotráfico recruta jovens e altera rotina das escolas em Juárez

“Só repressão” não funciona contra crime organizado, diz especialista

Governo mexicano recebe críticas pela atuação no combate ao narcotráfico 

Repórteres mexicanos vivem como correspondentes de guerra, diz fotojornalista premiado

O editor do Diário de Juárez Osvaldo Rodríguez disse em entrevista concedida à BBC Latina que toda a equipe do jornal está buscando um “acordo de paz” porque “nenhuma notícia vale a vida de um repórter”. Segundo ele, o jornal tem sido o mais afetado. “Não estamos pedindo proteção ou questionando nossa liberdade editorial, mas se nos disserem por que matam, então seremos capazes de decidir melhor”, afirmou.

Governo

No editorial, o jornal critica o papel do governo do presidente mexicano, Felipe Calderón, e o acusam de falhar na proteção aos moradores de Juarez. “Vocês são, neste momento, as autoridades de fato nesta cidade, porque as regras instituídas legalmente não têm feito nada para impedir que nossos companheiros sigam morrendo, apesar de reiteradamente termos exigido isso”, afirma.

Desde dezembro de 2006, quando assumiu a presidência, Calderón mobilizou as forças armadas para combater os crimes ligados ao tráfico. Devido ao grande número de vítimas desde então – mais de 28 mil mortos em todo o país – sua estratégia tem sido cada vez mais criticada. 

Especiais do Opera Mundi:

“Gosto deste Brasil que estou vendo”, diz Benício Del Toro

Forças obscuras: quem são os paramilitares e a extrema-direita na Colômbia

Ramadã à brasileira: como os muçulmanos de São Paulo passam o mês sagrado do Islã

CIA matou banqueiro para jornais agentinos ficarem com Papel Prensa, diz jornalista

Siga o Opera Mundi no Twitter

 

México: jornal em Ciudad Juárez pede trégua a narcotraficantes após ataque a repórteres

NULL

NULL

NULL