Mesmo perdendo, verdes se consolidam como segunda força política na Colômbia, dizem analistas
Mesmo perdendo, verdes se consolidam como segunda força política na Colômbia, dizem analistas
Apesar de ter reunido uma porcentagem de votos muito menor do que a esperada no primeiro turno das eleições colombianas, o Partido Verde celebrou o resultado de domingo (30/5). Para os verdes, além de terem construído a segunda maior força política, ainda há chances de vencer no segundo turno o candidato governista Juan Manuel Santos, que colheu nas urnas aproximadamente 47% dos 14,7 milhões de votos depositados, enquanto Antanas Mockus ficou pouco abaixo de 22%.
Na sede do Partido Verde, em Bogotá, o clima após a revelação do resultado foi de festa. A razão da felicidade, segundo os que estavam lá, está no fato de o partido ainda ser novo e mesmo assim, ter conseguido se posicionar como a segunda força política na Colômbia, recebendo o dobro de votos que nas eleições legislativas.
Em discurso, Mockus convocou abertamente o candidato do Partido Liberal, Rafael Pardo e o do Polo Democrático, Gustavo Petro e mais discretamente os candidatos Germán Vargas Lleras, do Cambio Radical e a conservadora Noemí Sanín. “Os colombianos escolheram dois caminhos: o da continuidade do que já existe, dos resultados apesar dos meios, ou o dos resultados sem sacrificar princípios éticos ou legais. Queremos ganhar, mas não a qualquer preço”, afirmou Mockus.
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Em seguida, seus seguidores cantaram em coro: “Não rouba, não mente, Antanas presidente” e “nem tudo vale, nem tudo vale”. Outros coros convocaram a união: “Verde, vermelho e ouro!”, em alusão às cores do Partido Verde, do Polo e dos liberais.
Já o governista Juan Manuel Santos foi mais explícito, propondo um “governo de unidade nacional”, no qual seriam incorporados aspectos dos programas de seus opositores, compensados com cargos administrativos.
Para o analista político León Valencia, Mockus e os liberais “chegarão a acordos, mas com o objetivo de formar uma nova força de oposição”, em vez de se focarem no segundo turno. “Santos, por sua vez, tem o apoio dos conservadores e a máquina governamental a seu favor. Com o dobro de votos de Mockus, Santos oferece mais aos políticos tradicionais. Os políticos liberais e conservadores estavam esperando os resultados para decidir a quem irão aderir”, afirmou Valencia.
Quanto ao fenômeno verde, o colunista do jornal El Tiempo acrescentou que “as eleições desse domingo permitiram o surgimento de uma segunda força eleitoral no país e a candidatura de Mockus deve consolidar esse panorama no segundo turno”.
Para o analista Álvaro Jiménez, o uribismo não deve cantar vitória antecipadamente. “O comportamento dos eleitores que apoiaram Germán Vargas, Noemi Sanin, Rafael Pardo e Gustavo Petro não está definido e a força ‘tranquila’ que expressa Mockus já mostrou que sabe e pode crescer. Logo após as eleições legislativas, o Partido Verde se tornou uma surpresa e disse claramente que chegava para romper a coluna vertebral da ilegalidade. Mostraram que estão em ascensão e que o crescimento do partido tem impacto em todos os setores sociais e regiões do país. E estão no segundo turno.”
Segundo o professor Jorge Iván Cuervo, da Universidade Externado, “Santos não precisa fazer alianças formais, pois pode somar facilmente os votos dos conservadores, parte dos de Vargas Lleras e do liberalismo. O desafio agora é dos verdes, mas o panorama não é alentador. O horizonte deve conter a manutenção dos três milhões do primeiro turno, aprender com os erros, se consolidar como partido e se preparar para as eleições locais de outubro de 2011. Essa derrota não pode sepultar uma proposta nova, una alternativa necessária para o país.”
Em sua opinião, a “onda verde” teve problemas de comunicação política e não conseguiu traduzir “o plebiscito ético que se formou ao seu redor, em um discurso politicamente convincente”.
“Parece que a maioria das pessoas não está disposta a deixar momentaneamente a segurança democrática, e está disposta a aceitar certo relaxo ético dos governos, que mantêm as Farc longe. Os verdes conseguiram vender o discurso de que o caminho até a legalidade democrática não implicava na renúncia do que foi conquistado até hoje”, disse Cuervo.
O professor também criticou as pesquisas que, segundo ele, “polarizaram artificialmente a opinião pública em torno dos dois candidatos, sacrificando os outros quatro que tinham chances”.
“Registraram a opinião, mas também a delinearam. Além disso, a força jovem no Twitter e no Facebook, que acompanhou Mockus, não foi traduzida em força eleitoral. O apoio nas redes sociais inflou as expectativas e foi perdido o discurso e a estratégia.”
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Pesquisas
Enquanto em todos os meios de comunicação colombianos se falava do fracasso das pesquisas de intenção de voto, o consultor Napoleón Franco se defendeu, dizendo que pelo fato de as pesquisas serem proibidas a uma semana da eleição e as campanhas, não, há prejuízos no resultado final. “Se continuam fazendo campanha e debates e o Conselho Nacional Eleitoral proíbe as pesquisas na última semana, não podemos monitorar tecnicamente o que está acontecendo”.
César Valderrama, da empresa Datexco, reconheceu o erros das consultorias, pois estas não teriam computado os mais de 100 mil eleitores colombianos no exterior, mas lembrou que as campanhas publicitárias e debates podem modificar o voto nos últimos dias.
Ramiro Bejarano, colunista do jornal El Espectador, chamou a atenção sobre a possibilidade de as empresas “não estarem registrando a realidade, mas induzindo o voto”. Fato é que pouco aconteceu para tamanha alteração de cenário. As pesquisas, conforme disseram analistas consultados pelo Opera Mundi, não souberam avaliar a capacidade de concentração de votos do “uribismo” sobre Santos e, por outro lado, a decomposição do voto anti-governista entre Mockus, Vargas Lleras, Petro e Pardo.
Santos parece ter sido ajudado pela popularidade do atual presidente, Álvaro Uribe (70%), que na última semana fez diversas declarações em telejornais e periódicos em apoio ao candidato. Santos teve maioria de votos em quase todos os estados, perdendo para Mockus somente em Tunja e Cali.
Veja como reagiram os eleitores de Mockus após a apuração dos votos:
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