Terça-feira, 28 de abril de 2026
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As negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia serão retomadas no mês que vem, segundo informações divulgadas nesta quinta-feira (27/5) pelo assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, após abrir o 3º Fórum Brasil-União Europeia, no Rio de Janeiro.

Os europeus, porém, terão que entender que não assinarão com o Mercosul acordos de livre comércio semelhantes aos que foram firmados com o Chile, Peru e Colômbia, cuja estrutura industrial é diferente da brasileira, “que nós temos que preservar”. Segundo ele, todos os países terão que ceder um pouco nesse acordo, zelando pelo interesse nacional.

Isso significa, explicou Garcia, um equilíbrio entre a abertura industrial, do lado do Mercosul, e concessões mais substantivas no terreno agrícola pelos europeus.

De acordo com Garcia, o Brasil e o Mercosul têm uma posição mais homogênea em relação ao acordo com o bloco europeu no que se refere às políticas agrícolas lá adotadas. Já na União Europeia, há países mais protecionistas e outros que gostariam de acelerar as negociações com o Mercado Comum do Cone Sul. Em momentos de crise, como a enfrentada hoje pela Europa, “a tentação do protecionismo é muito grande”, avaliou.

O mercado europeu é importante para o Brasil. O comércio nacional para o bloco alcança em torno de 110 bilhões de dólares, disse Garcia. “Gostaríamos de aumentar a nossa fatia e, ao mesmo tempo, de receber mais bens de capital europeus e investimentos também”.

O assessor especial da Presidência da República lembrou que em momentos de crise há fuga dos investimentos que não se sentem produtivos no mercado europeu e vêm para o Brasil em busca de realização. Citou os casos da Fiat e da Volkswagem, que produzem no Brasil mais automóveis do que suas matrizes na Itália e Alemanha, respectivamente. “Temos interesse em que a Europa se recupere, até porque isso terá um efeito global sobre a economia internacional.”

Ele disse ainda que os problemas na Europa podem afastar do Brasil investimentos estrangeiros programados para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, caso se configure que se trata de uma crise de liquidez. Assinalou, porém, que países emergentes como o Brasil podem ser um refúgio para investimentos que não são rentáveis no continente europeu.

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Mercosul e UE retomam negociações de acordo comercial em junho, diz assessor da Presidência

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