Segunda-feira, 6 de abril de 2026
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Bastaram três meses para que os ânimos do mercado imobiliário canadense mudassem completamente. Enquanto em maio era anunciada uma previsão de queda anual de 14,7% nas vendas nacionais em 2009, em agosto o mesmo prognóstico mudou para apenas 0,4%, de declínio em relação a 2008, ano do início da crise econômica.

Esta previsão está no último relatório publicado pelo Canadian Real Estate Association (CREA), uma das maiores associações do mercado imobiliário canadense. “A diferença no mercado da habitação acontece da noite pro dia, e em nenhum lugar isso é mais evidente do que no Ocidente”, exalta o presidente da associação, Dale Ripplinger.

Otimismo

O Canadá é um dos únicos países desenvolvidos a ter um crescimento no valor médio dos imóveis após a fase mais crítica da recessão. Foi diagnosticado aumento de 2% no preço das casas comparado a 2008 , segundo levantamento do CREA e Scotiabank Economics. Enquanto isso, países como Reino Unido apresentam quedas no valor dos imóveis de 14.4%, Estados Unidos de 12% e França de 9%.

Há um consenso de que a baixa taxa de juros da hipoteca é a principal responsável pelo fenômeno. Uma hipoteca fixa de cinco anos está disponível a 4,5% de juros ao ano na maioria das instituições financeiras. Soma-se a isto o aumento da confiança dos consumidores e a promessa do Banco do Canadá de manter suas taxas diretoras durante a noite (overnight rate) em 0,25%, até a metade de 2010. Esta taxa de juros é usada pelos grandes bancos para tomar empréstimos e emprestar entre si, compensando seu excesso ou escassez de fundos ao final do dia.


Sinal Amarelo

A boa performance do mercado imobiliário, porém, não convence a todos. A desconfiança começa na comparação com outros números da economia canadense, como a taxa de desemprego de 8,4%, o déficit de 92,7 bilhões de reais (55,9 bilhões dólares) e o aumento de 35% em falências pessoais a partir de 2008.

Além disso, surge a inevitável lembrança do que aconteceu com o vizinho Estados Unidos, quando a expansão do crédito financiou a bolha imobiliária. O observador Garth Turner, economista e ex-ministro, prega em seu blog “Greater Fool” que uma bolha semelhante está por estourar no Canadá.

Ele compara o preço médio das casas canadenses, que pelos seus dados é de 324 mil dólares, com o preço médio nos Estados Unidos, de 189 mil dólares – uma diferença de 58%. “Por que isso acontece? As taxas de hipoteca são praticamente as mesmas [4.5% Canadá, 4.7% EUA] e o índice de desemprego é semelhante [8,4% Canadá, 9.8% EUA]”.

Turner também acredita que os juros não vão permanecer baixos por muito tempo, além de ver o crescimento de débitos pessoais – a uma taxa de 7% ao ano – um sinal claro de que o a recuperação do mercado não é sustentável.

Confiança

Na direção contrária, a maioria dos economistas aposta na sustentabilidade da recuperação. “Sempre foi nosso argumento de que o mercado imobiliário iria rapidamente se recuperar assim que a confiança do consumidor fosse restabelecida”, declarou ao Opera Mundi Jason Mercer, Gerente de Análise de Mercado do Toronto Real Estate Board.

Da mesma forma, o economista chefe do CREA, Gregory Klump, afirma não estar preocupado com uma possível bolha. “Os fatores que levaram à crise financeira, como hipotecas subprime e empréstimos ninja, não estão mais em jogo” disse. Para este grupo, a boa notícia no mercado imobiliário é um dos primeiros sinais de que a recuperação econômica está no horizonte. “Indicadores como o desemprego vão melhorar mais tarde, provavelmente partir da metade de 2010”, aposta Jason Mercer.

Mercado imobiliário canadense tem recuperação notável, mas gera desconfiança

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