Membro da Frente de Resistência em Honduras liga seu sequestro a conflito agrário
Membro da Frente de Resistência em Honduras liga seu sequestro a conflito agrário
O hondurenho Juan Chinchilla, membro do Comitê Executivo da Frente Nacional de Resistência Popular hondurenho, foi sequestrado no último sábado (8/01) na região de Baixo Aguán, no departamento de Colón. Dois dias depois, ele conseguiu escapar, deixou o cativeiro e está escondido em um local onde apenas alguns colegas têm acesso, informou o site de notícias Libre Red.
“Ele conseguiu se soltar e aproveitou que os sequestradores estavam dormindo para escapar. Às seis da manhã conseguiu se comunicar com os companheiros do movimento, que se mobilizaram até o local e o ajudaram a se esconder em um lugar seguro. Estamos entrando em uma nova etapa de violência em Baixo Aguán”, disse o dirigente popular e também membro do Comitê Executivo da FNRP Wilfredo Paz.
Leia mais:
Honduras ainda tem violações de direitos e EUA são cúmplices, diz padre ativista
Honduras: movimentos sociais reage a privatizações de rios e de energia
Golpe de Estado em Honduras deixou o país falido
Ele disse ter medo de uma onde de perseguição, sequestros e assassinatos de líderes do movimento rural. “Juan Chinchilla está bem. Está em bom estado de saúde, ainda muito desgastado pelos golpes e pelas torturas que sofreu”, completou Paz.
Paz contou também que os criminosos queimaram o cabelo e os braços do refém. Segundo ele, o movimento camponês pode garantir que o sequestro foi feito por mercenários a mando de latifundiários da região.“Estamos responsabilizando os latifundiários e os produtores de palma da região porque o sequestro de Chinchilla aconteceu em meio a um conflito agrário em curso na região de Aguán”, justificou o dirigente.
Chinchilla, que é também representante do movimento popular MUCA (Movimento Unificado Camponês do Aguán), disse que havia estrangeiros entre seus sequestradores, pois alguns falavam inglês, outros, um idioma que ele não conseguiu identificar.
Crise no campo
A relação entre os movimentos de trabalhadores rurais e os latifundiários da região de Bajo Aguán é historicamente conflituosa. Em dezembro, camponeses fecharam as estradas da região para protestar e o governo chegou a enviar uma comissão especial para tentar estabelecer um diálogo.
Leia também:
Na Honduras pós-golpe, movimentos sociais tentam evitar volta do latifúndio
Casos de violência em Honduras cresceram após golpe de Estado, revela organização
Nomeação de Zelaya como deputado do Parlacen inicia nova fase política em Honduras
Um ano após o golpe de Estado, especialista analisa situação de Honduras e papel dos EUA
Cortadores de cana na Nicarágua atribuem epidemia de doença renal a más condições de trabalho
Um dos principais motivos dos desentendimentos são os desalojamentos dos moradores locais, solicitados pelo governo, a fim de liberar a terra para cultivos de exportação (banana, café, carne, laticínios, açúcar e óleo de palma). A Frente de Resistência Popular hondurenha, porém, afirma que os desalojados não recebem a assistência devida, sendo obrigados a viver em condições de insalubridade.
Conforme mostrou reportagem do enviado especial do Opera Mundi a Honduras, apesar da grande disponibilidade de terra e da elevada intensidade de mão-de-obra para a atividade agrícola, 300 mil famílias – cerca de 1,5 milhão de pessoas, representando mais de metade da população rural – continuam sem acesso à terra naquela região, enquanto outras 200 mil possuem apenas uma área entre um e 3,5 hectares. Os dados são da SARA (Aliança pela Soberania Alimentar e a Reforma Agrária 2009).
Siga o Opera Mundi no Twitter
Conheça nossa página no Facebook
NULL
NULL
NULL























