Domingo, 3 de maio de 2026
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O médico que trata do dissidente cubano Guillermo Fariñas, que iniciou uma greve de fome há 129 dias, disse que o paciente já engordou até seis quilos. As informações são do jornal cubano Granma, que divulgou uma entrevista com o médico nesta quarta-feira (7/7). O médico Armando Caballero, chefe da UTI do Hospital Universitário Arnaldo Milián Castro, que fica na cidade de Santa Clara, em Cuba, contou que Fariñas aceitou receber alimentação intravenosa, mas que se mantém resistente a ingerir alimentos por via oral.

“Fariñas chegou à nossa sala com 63 quilos e atualmente está oscilando entre 67 e 69 quilos”, afirmou Caballero, que atribuiu o aumento do peso corporal à alimentação por soro que o paciente vem recebendo no hospital. O dissidente, internado desde o dia 11 de março, passou as duas semanas anteriores em casa, período no qual diz não ter ingerido qualquer tipo de alimento ou bebida. Agora, porém, recebe nutrientes por via intravenal.

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“Ele aceitou, estava consciente de que aplicaríamos nutrientes, alimentação intravenosa, ou seja, pelas veias”, disse Caballero. O médico explicou ainda que Fariñas está recebendo uma dieta balanceada composta de aminoácidos que formam proteínas, lipídios, vitaminas e minerais, “como qualquer ser humano necessita”.

Ainda de acordo com o jornal cubano, a mãe do dissidente, Alice Hernandez, confirmou que Fariñas está sendo alimentado por via intravenal, mas que o filho está sendo mantido apenas “a base de nutrientes leves”. Até agora, o dissidente continua negando ingerir qualquer tipo de alimento por via oral, o que para o médico é uma situação extremamente atípica, já que “uma pessoa que não ingere alimentos por nenhuma via realmente não pode sobreviver tanto tempo, o que não aconteceu com Fariñas”.

Consciência

 

Em decorrência disso, o estado de saúde do dissidente é grave, não apenas pela desnutrição, mas também por um coágulo na jugular, o que é relativamente comum em casos de pessoas que se submetem a alimentação venal. “Os riscos de infecções aumentam em pacientes que são alimentados desta forma por um longo período de tempo. Eles estão mais propensos a se contaminar com bactérias e fungos, ou até mesmo apresentar outras complicações como a que este paciente desenvolveu”, explicou Caballero.

O médico acrescentou ainda que todos os esforços serão feitos para que Fariñas se recupere, mas que a ética médica não permite que nenhum medicamento seja dado ao paciente sem seu consentimento. “Ele é um paciente que está consciente, orientado e em pleno uso de suas faculdades mentais e, portanto, é seu direito aceitar ou não, por vontade própria, a execução de qualquer procedimento médico”.

Apesar disso, para o médico este é um “mau direito”, já que coloca em risco sua integridade física. “Somos médicos para salvar vidas, mas tenho que respeitar a vontade dos meus pacientes, não posso lutar contra isso”, acrescentou. Fariñas começou a greve de fome em protesto pela morte do preso Orlando Zapata, que aconteceu em fevereiro deste ano.

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Médicos cubanos: dissidente já engordou 6 quilos com alimentação intravenosa

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