Médico denuncia tortura contra professora de 50 anos em Honduras
Médico denuncia tortura contra professora de 50 anos em Honduras
“Eu, Juan Ángel Almendarez Bonilla, hondurenho, médico, membro do Colégio Médico de Honduras, registro numero N. 430, Diretor Executivo do Centro de Prevenção, Tratamento e Reabilitação das Vítimas da Tortura e seus Familiares (CPTRT), devidamente autorizado pela pessoa afetada e seus familiares, sinto-me obrigado por razões éticas e de respeito aos direitos humanos a apresentar o seguinte testemunho, tanto aos organismos nacionais e internacionais de direitos humanos, assim como diante da opinião pública mundial, dos atos violentos e de tortura contra Agustina Flores López, professora de 50 anos”.
Assim começa o depoimento de Juan Almendarez, um dos médicos que atendeu vítimas da violência praticada pelas Forças Armadas de Honduras contra a população civil.
Agustina foi capturada por oito policiais femininas dia 22 de setembro nas proximidades da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, um dia após a volta do presidente deposto, Manuel Zelaya. “Enquanto uma torcia meus braços para trás, a outra me dava socos na cara. Durante a surra, gritavam: ‘Vocês são os cachorros da resistência!’. Depois, fui transferida para o Core VII (Centro de Detenção Policial)”, contou a professora a Almendarez.
Segundo ele, o caso de Agustina indica as violações de direitos humanos que estão sendo cometidas em Honduras. A professora, além de ter sido espancada – o relatório médico aponta traumas em todo o corpo –, tem uma grave doença.
“Agustina sofre da Síndrome de Sjögren primária, que provoca secura nas mucosas oculares e bucais e problemas de autoimunidade”, afirmou o médico. Segundo Almendarez, isso a torna suscetível a graves infecções, sobretudo pelas condições insalubres das prisões. “Ela está sendo tratada para hipotiroidismo, com 200 microgramas de levotiroxina. Após sua captura, foram suspensos os comprimidos, o que coloca sua vida em risco”, declarou.
“Agustina expressou que sua maior preocupação são os netos, dependentes dela. Chorando, me contou que tem compartilhado o sofrimento e os tratamentos desumanos e degradantes com outras pessoas que, como ela, apenas se opunham a uma ação criminal”.
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