Segunda-feira, 6 de abril de 2026
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“Eu, Juan Ángel Almendarez Bonilla, hondurenho, médico, membro do Colégio Médico de Honduras, registro numero N. 430, Diretor Executivo do Centro de Prevenção, Tratamento e Reabilitação das Vítimas da Tortura e seus Familiares (CPTRT), devidamente autorizado pela pessoa afetada e seus familiares, sinto-me obrigado por razões éticas e de respeito aos direitos humanos a apresentar o seguinte testemunho, tanto aos organismos nacionais e internacionais de direitos humanos, assim como diante da opinião pública mundial, dos atos violentos e de tortura contra Agustina Flores López, professora de 50 anos”.

Assim começa o depoimento de Juan Almendarez, um dos médicos que atendeu vítimas da violência praticada pelas Forças Armadas de Honduras contra a população civil.

Agustina foi capturada por oito policiais femininas dia 22 de setembro nas proximidades da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, um dia após a volta do presidente deposto, Manuel Zelaya. “Enquanto uma torcia meus braços para trás, a outra me dava socos na cara. Durante a surra, gritavam: ‘Vocês são os cachorros da resistência!’. Depois, fui transferida para o Core VII (Centro de Detenção Policial)”, contou a professora a Almendarez.

Segundo ele, o caso de Agustina indica as violações de direitos humanos que estão sendo cometidas em Honduras. A professora, além de ter sido espancada – o relatório médico aponta traumas em todo o corpo –, tem uma grave doença.

“Agustina sofre da Síndrome de Sjögren primária, que provoca secura nas mucosas oculares e bucais e problemas de autoimunidade”, afirmou o médico. Segundo Almendarez, isso a torna suscetível a graves infecções, sobretudo pelas condições insalubres das prisões. “Ela está sendo tratada para hipotiroidismo, com 200 microgramas de levotiroxina. Após sua captura, foram suspensos os comprimidos, o que coloca sua vida em risco”, declarou.

“Agustina expressou que sua maior preocupação são os netos, dependentes dela. Chorando, me contou que tem compartilhado o sofrimento e os tratamentos desumanos e degradantes com outras pessoas que, como ela, apenas se opunham a uma ação criminal”.

Médico denuncia tortura contra professora de 50 anos em Honduras

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