Domingo, 10 de maio de 2026
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Concentrando-se em uma das principais pautas do Brasil como presidente do G20, a reforma da governança global, o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, criticou nesta quarta-feira (21/02) a “paralisa do Conselho de Segurança” da ONU em relação aos conflitos em curso no mundo, em especial na Ucrânia e Palestina.

“As instituições multilaterais não estão devidamente equipadas para lidar com os desafios atuais. Esse estado de inação implica diretamente perdas de vidas inocentes”, declarou o diplomata brasileiro na abertura da reunião de chanceleres do G20, no Rio de Janeiro

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Vieira classificou “o fato de que a governança global precisa de profunda reformulação” como impossível de ignorar.

O chanceler afirmou que o Brasil “está profundamente preocupado com a situação internacional sobre paz e segurança”, mencionando que segundo estimativas, há cerca de 170 conflitos em andamento no mundo. 

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“O Brasil não aceita um mundo em que as diferenças são resolvidas pelo uso da força militar e rejeita a busca de hegemonias, antigas ou novas. Não é do nosso interesse viver em um mundo fraturado”, argumentou ao lembrar que o Hemisfério Sul do planeta “optou por permanecer desnuclearizado”, mas que isso é “pouco destacado sob a narrativa predominante”.

Evidenciando que mais de US$ 2 trilhões são gastos em equipamento militar no mundo a cada ano, Vieira classificou que a despesa “não é minimamente razoável” enquanto programas de ajuda social e para combate às mudanças climáticas equivalem a cerca de 3% (cerca de U$ 60 bilhões) e 5% (U$ 100 bilhões) desse valor, respectivamente.  

Em discurso na reunião de chanceleres do G20, ministro das Relações Exteriores do Brasil criticou inação das instituições multilaterais nos conflitos na Ucrânia e Palestina

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Vieira classificou "o fato de que a governança global precisa de profunda reformulação" como impossível de ignorar

Por fim, Vieira cobrou “um sistema multilateral moderno, eficaz e eficiente, guiado por normas e princípios rigorosamente seguidos por todos os países, com as Nações Unidas em seu centro” para lidar com os conflitos mundiais. 

Apesar de não dispensar muito tempo para falar sobre a ofensiva israelense em Gaza, o chanceler brasileiro afirmou que a posição do país sobre a situação na Palestina “é bem conhecida e foi apresentada publicamente nos foros apropriados, como o Conselho de Segurança da ONU e a Assembleia Geral da ONU”. 

Fome, pobreza, desigualdade e desenvolvimento sustentável

Vieira abordou rapidamente outras prioridades da Presidência do Brasil no G20: o combate à fome, pobreza e desigualdade; e o desenvolvimento sustentável. 

“Se a desigualdade e mudanças climáticas de fato constituem ameaças existenciais, não consigo evitar a sensação de que nos faltam ações concretas sobre tais questões”, discursou.

Segundo ele, as pautas devem ser abordadas com maior espaço no segundo dia da reunião, na próxima quinta-feira (21/02), mas também apelou para que a cúpula dos chefes de Governo do G20, a ser realizada em novembro, também no Rio de Janeiro, possa anunciar “uma contribuição efetiva para erradicar a fome no mundo”.