Quarta-feira, 20 de maio de 2026
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Novos distúrbios de menor intensidade se espalharam nesta segunda-feira (21/02) por várias cidades marroquinas. Elas ocorreram depois que foi divulgado que cinco pessoas morreram no domingo em Al Hoceima (região norte do país) e mais de 120 ficaram feridas pelos protestos que reivindicam a abertura democrática do regime.

Em seu primeiro discurso público após os protestos, o rei Mohammad VI do Marrocos não se referiu às manifestações, mas garantiu estar “comprometido com a realização de reformas estruturais”, em discurso por causa da nomeação do primeiro Conselho Econômico e Social do país.

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Previamente, o ministro do Interior marroquino, Taieb Cherkaoui, compareceu em entrevista coletiva para fazer um balanço dos distúrbios ocorridos no domingo no país e informou que os corpos de cinco jovens foram encontrados em uma filial bancária da cidade de Al Hoceima.

As cidades de Tânger, Tetouan, Larache e Al Hoceima, no norte, Sefru, no centro, e Marrakech e Guelmim, no sul, foram palco dos maiores protestos, nos quais ficaram feridas 128 pessoas (das quais 115 pertenciam aos corpos de segurança) e 120 foram presas.

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No entanto, o ministro do Interior destacou o “clima pacífico cheio de serenidade e disciplina” das manifestações de domingo – nas quais, segundo seus dados, participaram 37 mil pessoas – e atribuiu ao “clima de liberdade, à prática saudável da democracia e ao direito à liberdade de expressão” no Marrocos.

Para “preservar esse clima”, Cherkaui se comprometeu a não tolerar atos violentos e assegurou que “os poderes públicos empregarão a força da lei contra tudo que for suscetível a atentar contra a ordem pública e a segurança dos cidadãos”.

Enquanto isso, os protestos em favor de uma “constituição democrática” continuaram nesta segunda-feira em Rabat e nas cidades de Fez, Al Hoceima e Uxda.

Em algumas ocasiões foram registrados episódios de violência. Em Rabat, pelo menos cinco pessoas tiveram que ser hospitalizadas – entre elas a presidente da principal ONG de oposição no país, a Associação Marroquina dos Direitos Humanos (AMDH), Jadiya Riyadi – depois que agentes antidistúrbios usaram a força contra uma concentração de 30 pessoas.

Além de Jadiya Riyadi, ficaram feridos outros três membros da mesma associação, assim como um pedestre que foi atropelado por um veículo quando tentava escapar do lugar, disse à Efe Youssef Raisuni, presidente da AMDH em Rabat.

Depois que as forças antidistúrbios rodearam o pequeno grupo na praça Bab el-Had, os manifestantes começaram a gritar frases como “oprimidos em nosso próprio país” e “queremos liberdade”.

Em Al Hoceima também foram registrados enfrentamentos entre a polícia e as forças de ordem quando algumas pessoas se dirigiram a Imzuren para se unir a outra manifestação, revelou o presidente da associação cultural local Buya, Najim Hidush.

Por outra parte, em Fez, dezenas de cidadãos saíram em passeatas para reivindicar mudanças sociais, informou o presidente da Associação Marroquina de Direitos Humanos na cidade, Mohammed Ulad Ayad.

Ayad acrescentou que as forças antidistúrbios impediram a chegada ao centro da cidade de uma manifestação formada pelos estudantes da universidade de Mohammed Ben Abdallah e do bairro popular de Lido.

Enquanto isto, Mohammad VI se dirigiu ao recém-criado Conselho Econômico e Social – cuja presidência foi dada ao ex-ministro do Interior Chakib Benmoussa – para pedir que assegure “a todos os marroquinos condições propicias para o exercício de uma cidadania digna”.

Em seu discurso, divulgado pela agência oficial “MAP”, citou a criação deste órgão como um exemplo da “dinâmica reformadora” do Marrocos, e mostrou sua vontade de “levar adiante a materialização do modelo marroquino, do qual reafirmamos seu caráter irreversível”.

“Se lançamos este Conselho é porque rejeitamos constantemente ceder à demagogia e à improvisação em nossa ação dirigida a consolidação de nosso modelo singular de democracia e desenvolvimento”, acrescentou.

O Conselho Econômico e Social é uma antiga exigência do monarca, que em 2008 ordenou ao Parlamento preparar uma lei que contemplasse a criação deste órgão consultivo.

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Marrocos vive nova jornada de distúrbios após cinco mortes no domingo

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