Marcha em Cuba no dia 20 de dezembro pedirá que Biden 'refresque' sanções à ilha
Manifestação, que terminará diante da embaixada norte-americana, pedirá que EUA tirem país da lista de 'patrocinadores do terrorismo'
Os cubanos convocaram para a próxima sexta-feira (20/12) uma grande marcha em Havana para exigir que os Estados Unidos aliviem as sanções econômicas contra a ilha.
A manifestação, que terminará diante da embaixada norte-americana, pretende pressionar o presidente Joe Biden para que cumpra uma de suas promessas de campanha pendentes antes do fim de seu mandato, no próximo dia 20 de janeiro.
O bloqueio norte-americano a Cuba é o mais longo, abrangente e completo sistema unilateral de medidas econômicas coercitivas já aplicado por país a outro.
Ele inclui pressões e ameaças para que outras nações não comprem ou vendam para Cuba.
A estimativa é que as perdas econômicas causadas pela asfixia econômica de Cuba pelos Estados Unidos superam 421 milhões de dólares mensais.
Nos 64 anos que dura o bloqueio, isso soma o equivalente a 15 vezes o PIB da ilha.
O impacto sobre a qualidade de vida do povo cubano é enorme, privando-o de necessidades básicas, como alimentação adequada e medicamentos, entre outros bens.
Biden renovou sanções
Dia 20 de setembro, contrariando suas promessas de campanha, Biden estendeu a validade da “Lei de Comércio contra o Inimigo”, extenso e complexo emaranhado de leis, decretos e resoluções que tem por objetivo sufocar a economia da ilha caribenha para gerar dificuldades ao governo de Miguel Diáz-Canel.
Em outubro passado, pela 32ª vez, a Assembleia Geral das Nações Unidas, por 187 votos a favor e dois contra, condenou essa política de asfixia econômica.
“Nenhum país, mesmo com economias muito mais prósperas e robustas que a cubana, poderia enfrentar uma agressão tão impiedosa, assimétrica e prolongada sem um prejuízo considerável no nível de vida de sua população, em sua estabilidade e em sua justiça social”, dizia o informe apresentado por Cuba ante a Assembleia da ONU.
Além da entidade internacional, dezenas de governos, parlamentares e organizações em todo o mundo, e mesmo nos EUA, já pediram o fim do bloqueio a Cuba.
Novas barreiras a Cuba
Mas, em vez de diminuir, as sanções só aumentam. Dias antes de terminar seu primeiro mandato, em 2020, o presidente Donald Trump incluiu Cuba na lista de países que patrocinam o terrorismo.

Stéphan Valentin/Unsplash
Carros e casas refletem situação econômica do país
A medida não só impõe novos obstáculos às exportações e novas restrições financeiras ao país, como prejudica o recebimento de ajuda humanitária e também o turismo, já que penaliza as pessoas que viagem a Cuba.
Interfere ainda nas transações bancárias de cubanos e de novos atores econômicos não estatais que atuam no país, além de impedir a contratação de serviços online e restringir os intercâmbios acadêmicos e científicos.
O governo Biden não retirou Cuba da lista e esta é uma das coisas que os cubanos reivindicam com a marcha do dia 20.
Apesar disso, contraditoriamente, sua administração retirou Cuba da lista de Estados que “não cooperam plenamente” com os EUA na luta antiterrorista.
Ao defender a medida, o secretário de Estado norte-americano Antony Blinken destacou o papel chave de Cuba como intermediário nas conversações de paz entre o governo colombiano, o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC); a constante cooperação policial do país; e a não existência de elementos terroristas em seu território.
Os objetivos do governo norte-americano com o bloqueio estão explícitos no memorando redigido há 64 anos pelo então subsecretário assistente dos EUA, Lestes Mallory.
O documento afirma que única maneira de enfrentar a Revolução Cubana “é mediante o desencanto e a insatisfação que surgirão do mal-estar econômico e das dificuldades materiais”.
E o memorando segue: “é preciso aplicar rapidamente todos os meios possíveis para debilitar a vida econômica de Cuba (…), uma linha de ação que, sendo o mais habilidosa e discreta possível, consiga privar Cuba de dinheiro e suprimentos, reduzir seus recursos financeiros e os salários reais, provocar fome, desespero e assim a derrubada do governo”.























